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Show me the meaning of being stupid.
Tem uma coisa que me preocupa muito no fim da exigência do diploma de jornalismo: é essa coisa de as pessoas acharem que QUALQUER BOÇAL pode ser um jornalista. Me chame de romântica mas, até onde me conste, ser jornalista é ter paixão pela notícia, por levar informação às pessoas. Claro que você pode virar jornalista só porque gosta de escrever, e acho isso super válido, mas algumas pessoas levam isso para um outro lado, o do egocentrismo. 90% destas viram blogueiros e os outros dez são pagos para escrever merda em grandes portais.
Explico-me: Ontem, dia 5 de outubro, Brian Littrell, membro do grupo Backstreet Boys foi diagnosticado com a Influenza A, ou gripe suina. Aparentemente Brian contraiu a doença no Japão, onde os Boys gravaram o clipe para o próximo single, “Bigger”, e de onde retornaram a apenas alguns dias. A banda teve de cancelar compromissos de divulgação do novo álbum, cujo lançamento é justamente hoje, 6 de outubro. De quarentena, Brian gravou um vídeo com uma webcam pedindo desculpa aos fãs por ter tido de cancelar alguns compromissos e aparentando estar bastante debilitado.
Observando os devidos limites em se fazer graça com a doença de alguém, é claro que rolou muita piada com o assunto, inclusive entre os fãs (eu inclusa), mas uma em especifico chamou atenção pelo alto nível de preconceito e baixo nível de inteligência. Foi um post divulgado no Portal MTV* que, além das previsíveis piadinhas a respeito da doença de Brian, chegou à incrível conclusão de que o vídeo gravado por ele seria uma (observem a complexidade deste pensamento!) uma estratégia de marketing para promover o álbum.
Claro, claro, pra quê aparições na TV e outras ações de divulgação quando você pode ficar deitadinho num quarto de hotel, de quarentena? Melhor ainda, você pode gravar um vídeo mostrando o quanto você está dodói, as fãs ficam morrendo de peninha e, como num passe de mágica, o álbum estará promovido e bombando nas vendas. Olha, eu não teria pensado nisso. Parabéns a quem teve essa idéia brilhante!
Não quero ficar dando uma de especialista aqui, mas acho que posso falar como alguém que tem observado esse contexto de forma precisa e (há quem diga) imparcial**. Admito que um olhar displicente pode ter exatamente a impressão que este infeliz teve, mas ainda acho essa uma visão muito ingênua, superficial e obsoleta. Nós fãs sabemos (e eu como pesquisadora sei) que há muito mais por trás do vídeo e do pedido de desculpas de Brian do que uma tentativa barata de promover um álbum e acho que um jornalista deveria saber disso.
Mas, ok, um cidadão que escreve no Portal MTV não precisa ser necessariamente um jornalista e é isso que me mata, tanto no jornalismo online (que é um negócio que me enerva profundamente) quanto no fim da obrigatoriedade do diploma. Na verdade a questão não é nem o diploma em si mas esse oba-oba de midialivrismo, web 2.0 e o diabo a quatro, é o fato de um cara poder escrever num portal de grande repercussão como se fosse o seu blog pessoal.
A nota repercutiu entre os fãs que entupiram o espaço para comentários com mensagens desaforadas e emplacaram a tag #FuckYouMTVBrasil entre os assuntos mais comentados no Twitter entre os brasileiros, justamente no dia do lançamento do álbum. Em entrevista dada ao portal após a repercussão, o cidadão ainda disse que perdemos tempo o atacando em vez de fazer campanhas para divulgar o álbum. Mais uma análise inteligentíssima e cheia de fundamento.
Se você está lendo esse blog é bem provável que me conheça minimamente e , portanto, saiba que sou apaixonada por esses caras desde os 12 anos de idade (hoje tenho 24- faz as contas). Claro que essa história me irritou um pouco como fã mas me irritou muito mais como comunicadora. Não é de hoje que a MTV acha bonito sacanear artistas e bandas e o humor inteligente e o sarcasmo mandaram beijos. Isso não é sobre os Backstreet Boys ou um grupinho de fãs despeitadas ou um moleque blogueiro de 19 fazendo o que moleques de 19 anos fazem, é sobre um meio de comunicação,(um veículo que já foi absurdamente poderoso e poderia ser muito mais caso fosse bem administrado) que já perdeu completamente a credibilidade. Em outras palavras #FuckYouMTVBrasil
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*Não vou pôr o link. Não vou dar pageviews pr’essa gente.
** Há alguns semestres (tantos que já perdi a conta) desenvolvo uma pesquisa acadêmica sobre os fãs dos Backstreet Boys. Mais detalhes aqui.
Em tempo, o cara pede desculpas às fãs por ficar doente. Sério. Não tem como não amar! #getbetterBRIAN
1 comment Outubro 7, 2009
Yes, we can sing. – Uma Boy Band em crise de identidade.
Tirando a poeira do blog, em rítmo de férias suinas. Não sou muito boa em prever tendências mas estou sentindo uma certa revalorização das tão estereotipadas, injustiçadas e zoadas boybands. Ou pelo menos de uma delas, a maior de todas, os incríveis, maravilhosos, lindos, absolutos (tá bom, parei) Backstreet Boooooooys.
Os meninos estão com CD novo, This Is Us, pra ser lançado em 6 de outubro, e já lançaram o primeiro single, Straight Through my Heart, que pode ser ouvido no site do grupo. “Mas os Backstreet Boys não acabaram?”, você vai dizer, e eu vou responder: Não. E isso também não se trata de uma volta. É verdade que os Boys passaram por um hiato mais ou menos entre 2001 e 2005, quando lançaram o álbum Never Gone. Mas ninguém ficou sabendo. Isso porque a divulgação desse álbum foi uma boa bosta e vendeu pouquíssimo. Em 2007, sem Kevin Richardson (que saiu para se dedicar à família e projetos pessoais. – E quem se importa?) eles lançaram Unbreakable, que já trazia alguns elementos novos mas ainda era um álbum bastante familiar. E foi com essa turnê que os meninos voltaram ao Brasil após oito anos de espera e levaram esta jornalista sem diploma que vos escreve à falência (mas isso é outra história).
Quem é fã, como é meu caso, tem acompanhado nos últimos meses os indícios de uma mudança mais radical no estilo dos caras, através de várias músicas que supostamente vazaram durante a gravação do novo álbum. Muitas delas não me agradam. Brian Littrell disse em entrevista que eles pretendem provar de uma vez por todas que os Backstreet Boys cantam mesmo. Ora, como fazer isso com produtores que estão acostumados com artistas que não cantam e usam efeitinhos nas vozes a cada cinco segundos? O fato é que eles estão com um discurso de “busca de identidade”, que estão “se redescobrindo” e por isso o álbum se chama This Is Us. Se o produtor da Lady Gaga soube captar a verdadeira essência dos Backstreet Boys só saberemos no dia 6 de outubro.
Estou tendo um pouco de dificuldades para aceitar este novo BSB, mas isso me fez pensar em como ele
s soavam no início e a evolução deles (ou não) ao longo desses 16 anos de carreira. Muita gente não sabe mas o Backstreet Boys se inspiraram muito no início da carreira em grupos vocais dos anos 70, como The Stylistics, e mais recentes, como Boyz II Men. Aliás eles se autodenominam um grupo vocal e ficam bravos quando são chamados de (arg) Boy Band. Eles sempre conseguiram administrar o lado comercial de ter uma música altamente vendável mas sem abandonar suas inspirações iniciais. Mas parece que agora a balança está pendendo pra um dos lados (e um lado que eu não gosto, diga-se). De repente eu só estou sendo nostálgica.
E aproveitando a vibe “recordar é viver” me lembrei de uma referência descarada que os Boys fazem ao grupo The Floaters. Infelizmente essa música só é conhecida por fãs, já que é uma b-side. Mas eu juro, vale muito a pena se você relevar o Kevin tentando fazer o Barry White.
Abaixo, as duas músicas pra você comparar. As letras você encontra aqui e aqui.
Add comment Agosto 7, 2009

