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Eu jurei que não falaria mais de Michael Jackson neste blog…
… mas vocês hão de concordar que, durante algum tempo, vai ser difícil evitar.
Acabei de assistir ao trailer de This Is It, documentário com imagens dos ensaios para a turnê homônima que Michael preparava logo antes de morrer. Devo dizer que assim que ouvi falar que esse filme seria feito tive certeza de que seria uma baita exploração desnecessária, como, aliás, é de costume em se tratando de Michael Jackson. Mesmo assim eu tive vontade de assistir simplesmente por (1) se tratar de um documentário e (2 )ser sobre Michael Jackson. Mas este trailer levou a coisa toda para um outro nível.
A sensação é de estar vendo um filme que já sabemos o final, ou um episódio da sua série favorita com severos spoilers. Porém não se trata dos últimos dias do Rei do Pop. A mim pareceu o cotidiano de trabalho de um artista em pleno processo criativo. Ele não faz idéia do que lhe acontecerá em seguida (e algum de nós faz?), apenas deseja dar o melhor de si e diz estar “feliz por poder proporcionar isso às pessoas”.
De fato, o que vemos é um Michael disposto, em forma (para um homem de cinquenta anos) e de certa forma feliz, o que é, ao mesmo tempo, uma pena e um consolo. Além disso o filme permitirá que tenhamos uma idéia do que poderia ter sido o retorno do rei (sem trocadilho nerd), a volta aos palcos de uma figura lendária e ícone mor da música pop. E se antes eu apenas tinha curiosidade de assistir ao filme, agora eu vou fazer DE TUDO para conseguir este ingresso, como se este fosse o ingresso para o seu último show (o que não deixa de ser, de certa forma).
Por isso não vou mais prometer parar de falar em Michael Jackson no blog pois, dia 30 de outubro, uma resenha com certeza aparecerá por aqui. Também não vou ficar aqui divagando e teorizando sobre o impacto da morte dele na vida de todo mundo pois já o fiz em posts anteriores. Mas ainda fico com um nó na garganta quando vejo declarações tão sinceras como o discurso de Madonna ontem no Video Music Awards, da MTV.
This Is It será exibido em diversos países e ficará em cartaz por apenas duas semanas. No Brasil ainda não sabemos quais serão as cidades (mas eu vou até o fim do mundo se preciso!) Maiores informações aqui.
Add comment Setembro 14, 2009
Festival Internacional de Documentários Musicais.
Começa na próxima semana, dia 9 de julho, no Rio de Janeiro o festival de documentários musicais, In-Edit (http://www.in-edit-brasil.com/). O festival esteve até ontem, 5 de julho, em São Paulo, onde contou com mais salas e exibiu mais filmes. Os cariocas poderão conferir apenas metade dos mais de 40 filmes exibidos. Mesmo assim o festival é imperdível para qualquer amante de música, de documentários ou dos dois, como é meu caso.
Continue Reading Add comment Julho 5, 2009
It’s just a shot away, it’s just a shot away
Os anos 60 e 70 marcaram a consolidação do rock como gênero popular massivo. Seria impossível imaginar um festival como Woodstock e até o próprio evento de Altamont antes disso. Era um momento político e social muito agitado e talvez por isso a música dessa época seja tão enérgica e as reações a ela tão intensas. O rock começava a arrastar multidões e como já não fosse uma tarefa difícil conter essas multidões enlouquecidas pela música, o álcool e as drogas levavam as coisas ainda mais para as últimas conseqüências.
Rolling Stones (junto com Led Zeppelin) são o melhor retrato deste cenário. Só a figura de Mick Jagger já congrega uma boa parte desses elementos: sua performance que demonstrava um enorme envolvimento com a música, suas roupas e sua postura. Quando Jagger diz que “isto não é um show, é só uma maneira de estarmos juntos” traduz uma idéia de confraternização, de união através da música. Mas também retrata um pouco da “onda esotérica” que tomou conta daquela época no sentido de encarar tudo como se tivesse um propósito maior do que o aparente.
Por outro lado não há praticamente nenhum tipo de crítica social na música desta época, nenhum tipo de reivindicação de classe. A contestação estava nas atitudes. O ato de uma pessoa tirar a roupa e ficar totalmente nua no meio da multidão pode significar livrar-se das amarras sociais ou apenas uma enorme necessidade de liberdade ou ainda o efeito de álcool e drogas pura e simplesmente. Mas o fato é que choca. Choca por que numa sociedade onde liberdade é só uma palavra ver alguém totalmente livre (simbolicamente falando) e não poder fazer o mesmo incomoda. Pensar que “a sua liberdade acaba onde a do outro começa” é admitir que todos são escravos de convenções sociais e principalmente das próprias convenções e por isso ao ver alguem tirar a roupa nem sempre somos capazes de fazer o mesmo.
A música dos Rolling Stones é atual por carregar essa necessidade de liberdade e diversão. Apesar de o momento não ser o mesmo e as letras nem sempre tratarem deste tema a levada das músicas traduz este sentimento de forma bastante eficaz. Musicalmente um fator interessante nos Stones é que o ritmo é marcado pela bateria e pela guitarra. (Na maior parte das bandas baixo e bateria marcam o ritmo – a cozinha – guitarra e vocal fazem a linha melódica.) Algumas vezes até o vocal têm essa “função”. Na verdade é como se nada tivesse uma função hermeticamente determinada na música, como se o ritmo – a levada – estivesse “no ar” e eles só tivessem que acompanhar. Mas ritmo e levada não são a mesma coisa. Ritmo é o compasso e o andamento em que a música está, levada é o que te faz ter vontade de dançar , ou seja, seguir o ritmo da música com o seu corpo. É como se uma força externa estivesse te levando e você não fosse capaz de resistir. E pra mim isso traduz muito melhor a idéia de liberdade do que qualquer ideologia ou teoria.
Outro fator ligado a questão da liberdade é a noção de tempo. Cada vez mais o homem moderno vive escravizado pelo tempo. A cena de Easy Rider em que o personagem de Peter Fonda joga fora o seu relógio antes de cair na estrada ,citada em Motoqueiros Selvagens em que John Travolta joga fora o celular, podem ser comparadas com a cena de Gimme Shelter em que estão todos no estúdio ouvindo Wild Horses. Ali está claro que ,ao ouvir a música, todos esquecem do tempo (relógio) e do mundo lá fora (celular). E por falar em motociclistas a cena em que , no meio daquela confusão toda, um Hells Angel dança distraidamente com sua namorada também é emblemática.
A busca por estados alterados de consciência , desligamento da noção de espaço e tempo, pode explicar o uso exagerado de álcool e drogas em eventos como esse e o fato de estes elementos sempre estarem associados ao rock. Essa mistura perigosa frequentemente resulta em rompantes de violência e por essa razão, como dito anteriormente, seria uma tarefa muito difícil conter uma multidão daquelas (ainda por cima alcoolizada) com algumas dezenas de Hells Angels (também alcoolizados).
Infelizmente Rolling Stones é a única banda desta época, que eu me lembre, que continua com a formação original e na ativa (!). ( Não, não estão com a formação original. Mas, whatever) Isso facilita que a sua música ainda seja muito tocada. Mas parece que já nos acostumamos com essa “rebeldia” toda, passamos a achar algo natural, nada além de excêntrico,os grandes shows deixaram de ser um evento e uma menina tirando a blusa na praia de copacabana parece um dé já vú , sem simbolismo nenhum. Rolling Stones virou uma caricatura sessentista (e sessentona!) bem como Hells Angels (também sessentões) viraram quase peça de museu sem sombra daquela energia (e violência) toda. O tempo passa. Fazer o que se eu nasci na época errada?
Add comment Outubro 4, 2007


