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Age of aquarius. Aaaaaage of aquariuuuuus.
Rock ‘n Roll rolando solto, grandes músicos no palco, milhares de pessoas reunidas, álcool, sexo e drogas liberados, nem uma briga sequer. Paraíso? Quase. Isso foi o festival de Woodstock (ou que nossos pais nos contam dele). Não vou escrever um mega post romântico e nostálgico sobre o assunto, mas se você quiser ler algo parecido basta jogar no google, tenho certeza de que vai encontrar muitos, muitos posts.
O que me intriga mesmo sobre Woodstock é como ele foi possível. Depois de pensar um pouco cheguei a conclusão de que, só mesmo uma guerra, uma situação muito extrema, pra fazer tanta gente se reunir com um único objetivo. Minha tese de que as situações extremas revelam o melhor e o pior do ser humano ganha cada vez mais força (e daí vem a minha paixão por filmes de catástrofe. Mas já estou desviando do assunto…) Infelizmente parece que a nossa tolerância vêm aumentando. As guerras e suas atrocidades não nos comovem mais, e o Rock ‘n Rio, que foi o evento que mais se assemelhou a Woodstock até hoje, nem é mais no Rio (e a parte do rock eu nem comento).
Mas se por um lado um evento como este hoje seria quase impossível de se repetir (e o próprio woodstock teve reedições que não repetiram o sucesso) alguns fenômenos dos dias atuais me impressionam tanto quanto. Coisas como todo mundo com avatar customizado de Coringa antes da estréia de Cavaleiro das Trevas, centenas de milhares de pessoas discutindo teorias sobre Lost em fóruns da internet e tudo isso que faz com que a gente se sinta parte de uma comunidade, mesmo sem estar dividindo o mesmo espaço.
O nosso “estar junto” mudou e, por mais que eu sempre diga que queria ter nascido nos anos 60, é preciso aceitar que eu sou uma criatura do meu tempo. Isso quer dizer, em termos práticos, que por mais incrível que podesse ser ver o The Who e aquela gente toda reunida, eu jamais sobreviveria ali sem chuveiro elétrico e Twitter, pra dizer o mínimo. Quer conflito de gerações maior do que esse?
Add comment Agosto 15, 2009
It’s just a shot away, it’s just a shot away
Os anos 60 e 70 marcaram a consolidação do rock como gênero popular massivo. Seria impossível imaginar um festival como Woodstock e até o próprio evento de Altamont antes disso. Era um momento político e social muito agitado e talvez por isso a música dessa época seja tão enérgica e as reações a ela tão intensas. O rock começava a arrastar multidões e como já não fosse uma tarefa difícil conter essas multidões enlouquecidas pela música, o álcool e as drogas levavam as coisas ainda mais para as últimas conseqüências.
Rolling Stones (junto com Led Zeppelin) são o melhor retrato deste cenário. Só a figura de Mick Jagger já congrega uma boa parte desses elementos: sua performance que demonstrava um enorme envolvimento com a música, suas roupas e sua postura. Quando Jagger diz que “isto não é um show, é só uma maneira de estarmos juntos” traduz uma idéia de confraternização, de união através da música. Mas também retrata um pouco da “onda esotérica” que tomou conta daquela época no sentido de encarar tudo como se tivesse um propósito maior do que o aparente.
Por outro lado não há praticamente nenhum tipo de crítica social na música desta época, nenhum tipo de reivindicação de classe. A contestação estava nas atitudes. O ato de uma pessoa tirar a roupa e ficar totalmente nua no meio da multidão pode significar livrar-se das amarras sociais ou apenas uma enorme necessidade de liberdade ou ainda o efeito de álcool e drogas pura e simplesmente. Mas o fato é que choca. Choca por que numa sociedade onde liberdade é só uma palavra ver alguém totalmente livre (simbolicamente falando) e não poder fazer o mesmo incomoda. Pensar que “a sua liberdade acaba onde a do outro começa” é admitir que todos são escravos de convenções sociais e principalmente das próprias convenções e por isso ao ver alguem tirar a roupa nem sempre somos capazes de fazer o mesmo.
A música dos Rolling Stones é atual por carregar essa necessidade de liberdade e diversão. Apesar de o momento não ser o mesmo e as letras nem sempre tratarem deste tema a levada das músicas traduz este sentimento de forma bastante eficaz. Musicalmente um fator interessante nos Stones é que o ritmo é marcado pela bateria e pela guitarra. (Na maior parte das bandas baixo e bateria marcam o ritmo – a cozinha – guitarra e vocal fazem a linha melódica.) Algumas vezes até o vocal têm essa “função”. Na verdade é como se nada tivesse uma função hermeticamente determinada na música, como se o ritmo – a levada – estivesse “no ar” e eles só tivessem que acompanhar. Mas ritmo e levada não são a mesma coisa. Ritmo é o compasso e o andamento em que a música está, levada é o que te faz ter vontade de dançar , ou seja, seguir o ritmo da música com o seu corpo. É como se uma força externa estivesse te levando e você não fosse capaz de resistir. E pra mim isso traduz muito melhor a idéia de liberdade do que qualquer ideologia ou teoria.
Outro fator ligado a questão da liberdade é a noção de tempo. Cada vez mais o homem moderno vive escravizado pelo tempo. A cena de Easy Rider em que o personagem de Peter Fonda joga fora o seu relógio antes de cair na estrada ,citada em Motoqueiros Selvagens em que John Travolta joga fora o celular, podem ser comparadas com a cena de Gimme Shelter em que estão todos no estúdio ouvindo Wild Horses. Ali está claro que ,ao ouvir a música, todos esquecem do tempo (relógio) e do mundo lá fora (celular). E por falar em motociclistas a cena em que , no meio daquela confusão toda, um Hells Angel dança distraidamente com sua namorada também é emblemática.
A busca por estados alterados de consciência , desligamento da noção de espaço e tempo, pode explicar o uso exagerado de álcool e drogas em eventos como esse e o fato de estes elementos sempre estarem associados ao rock. Essa mistura perigosa frequentemente resulta em rompantes de violência e por essa razão, como dito anteriormente, seria uma tarefa muito difícil conter uma multidão daquelas (ainda por cima alcoolizada) com algumas dezenas de Hells Angels (também alcoolizados).
Infelizmente Rolling Stones é a única banda desta época, que eu me lembre, que continua com a formação original e na ativa (!). ( Não, não estão com a formação original. Mas, whatever) Isso facilita que a sua música ainda seja muito tocada. Mas parece que já nos acostumamos com essa “rebeldia” toda, passamos a achar algo natural, nada além de excêntrico,os grandes shows deixaram de ser um evento e uma menina tirando a blusa na praia de copacabana parece um dé já vú , sem simbolismo nenhum. Rolling Stones virou uma caricatura sessentista (e sessentona!) bem como Hells Angels (também sessentões) viraram quase peça de museu sem sombra daquela energia (e violência) toda. O tempo passa. Fazer o que se eu nasci na época errada?
Add comment Outubro 4, 2007


