“If I was young, I’d flee this town. I’d bury my dreams underground”
Dezembro 28, 2008
Eu não assisti Maria Antonieta mas já me falaram tanto do filme que eu meio que já tenho ele todo na minha cabeça. Meus amigos de hoje em dia são o tipo de gente que assistiu Maria Antonieta e teve orgasmos múltiplos, mas não todos, graças a deus. Eu sei que eu deveria assistir a esse filme mas (1) meu acesso a esse tipo de filme não é nada fácil, não tenho grana pra gastar com locadoras caras e raramente vou ao cinema pra ver filmes que não sejam Batman Dark Knight ou Ironman e (2) eu tenho aversão a filmes que as pessoas acham geniais e dizem ser obrigatórios. É terrível que o fato de você ter assistido ou não a determinado filme, conhecer ou não determinada banda te insira ou te exclua de determinado grupo social, mas eu tenho me acostumado com isso e procurado encarar que o gosto (musical, cinematográfico, estético) nos posiciona dentro da sociedade. Mas ter consciência disso não me faz querer mudar minha postura de nunca seguir o gosto alheio só por seguir, pra ser aceita em determinado grupinho, o que, claro, acaba me inserindo em outro grupo, o das pessoas que curtem suas músicas sem dar a mínima para o que os outros pensam. Por alguma razão estranha todos nesse grupo parecem ouvir a mesma música… 
Mas o que eu quero dizer mesmo é que não vi Maria Antonieta até hoje em grande parte por pirraça, mas também porque sinto que tenho uma certa obrigação de gostar deste filme. Porém mesmo sem ter visto, só pelo que ouvi do filme, acho que ela fez algo que eu sonho fazer: utilizar a música como elemento da narrativa e não somente como uma simples trilha de áudio a mais. Ok, a trilha faz parte do filme, é utilizada pra dar ritmo, criar emoções, contribuir para a construção da narrativa de várias formas, mas há alguns filmes em que a música é quase um personagem, um narrador.
Por não ser trilha sonora pura e simples Sophia Coppola se permitiu utilizar músicas de épocas diferentes da que se passava a história e é este o detalhe que as pessoas mais se lembram. Por isso, também, Capitu, a última micro-série de Luiz Fernando Carvalho, foi bastante comparada ao trabalho da Sophia. Infelizmente as pessoas dão mais importância à mistura de Black Sabath com figurinos e cenários de época do que à função narrativa dessa mistura. Pior, acho que o próprio Luiz Fernando Carvalho cometeu esse erro.
No caso de Capitu a música atual tinha a ver com a mistura entre passado e presente e teria funcionado muito bem se
não tivesse sido usada tão levianamente. Eu não sei se foi sorte mas houve momentos em que o casamento entre música e imagem era perfeito como a escolha de Ironman, do Black Sabbath, para tema de Escobar. Acho que a música trazia justamente a semeste da dúvida por trás do belo sorriso do personagem. Em outros momentos era o caos, como na sequência em que a mãe de Bentinho é vestida pelas escravas ao som de God Save the Queen. Foi lindo, mas a sequencia se fechou em si mesma. Parecia que o único objetivo da cena era tocar God Save The Queen. Não tinha conexão com o que vinha antes nem com o que vinha depois, mas não foi culpa do Sex Pistols, foi culpa da síndrome de Sophia Coppola do LFC.
Mas sofrível mesmo foi a inserção de Mercedez Benz, da Janis Joplin, numa das cenas da Capitu adulta. “Quê?” , foi a única coisa que eu consegui pensar. A sorte é que Elephant Gun, do Beirut foi uma escolha tão, mas tão acertada que quase me fazia esquecer os erros anteriores toda vez que tocava.
Ruim mesmo foi a desculpa dada pelo diretor para a escolha das músicas. “Usei o rock com o desejo de atrair a garotada. O Machado ficaria muito feliz se pudesse ser entendido pelos jovens.” Ele diz que não subestima o público mas ainda acha que a única maneira de atrair os jovens é tocando rock, que os jovens não sabem ouvir outra coisa? Ok. Se terminar a série com Marcelo D2 e grande plano geral da Central do Brasil a la novela das oito foi uma estratégia para atrair os jovens não quero nem pensar o que ele faria para atrair crianças.
Entry Filed under: TV. Tags: Beirut, Black Sabbath, Capitu, Maria Antonieta, Sex Pistols, Sophia Coppola.
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1.
carol | Junho 10, 2009 at 10:03 pm
adorei a miniserie!