.:Communication Breakdown:.

Your song.

Fevereiro 24, 2008 · 1 Comentário

Estou ouvindo há cerca de uma hora no repeat “Love will keep you up all night”, uma das músicas do último álbum dos Backstreet Boys. Mas o fato de eu estar acordada até essa hora é só coincidência. Ficar acordada de madrugada organiza as minhas idéias: eu deixo os fantasmas virem todos de uma vez.

Mas ouvindo a discografia dos BSB eu comecei a lembrar de algumas passagens da minha vida. É como se cada momento tivesse uma música. Lembrei também de como cada álbum novo deles sempre tinha uma música que se encaixava exatamente com o que eu estava vivendo (lembrando que eu sou fã deles desde os 11 anos e eles estavam lá toda a minha adolescência) e eu sempre pensava: “essa é a minha música.”

É uma das coisas que sempre me encantou na música pop, o fato de a música entrar na vida das pessoas e ser uma espécie de ombro amigo, ser capaz de diminuir a sensação de solidão. Isso por que todo mundo parte do pressuposto de que o artista expressa o que sente nas letras das música, o que não é necessariamente verdade. Mesmo assim, ao ouvir uma música e achar que ela expressa exatamente o que nós sentimos a gente pensa “não sou o único a me sentir assim”.

O problema está em saber se o que o cara quis dizer corresponde, de fato, com o que a gente acha que ele quis dizer. Lembro do Humberto Gessinger, vocalista do Engenheiros do Hawaii e compositor mais indecifrável que eu conheço. Certa vez, ao ser questionado por um fã sobre o que ele quis dizer com uma determinada letra ele respondeu, simplesmente, “não sei”. Como é que o cara escreve “coração na mão como o refrão de um bolero” e não sabe o que quis dizer com aquilo?

É aí que eu começo a desconfiar do fato de uma música conseguir se encaixar em realidades tão distintas. Há pelo menos três hipóteses. A primeira eu expus num post anterior, o fato de as nossas emoções serem meio que condicionadas pela cultura pop. A hipótese mais aceita seria a de que cada um dá a interpretação que quer para o que ouve, que a música é subjetiva, etc. Mas eu comecei a pensar agora que, talvez, certas músicas sejam meio que genéricas, compostas com frases e situações clichês, banais e comuns que podem ser vividas por qualquer um. Talvez gostar de uma música envolva, em certa medida, se identificar com ela, e fazer com que as pessoas se identifiquem faça parte da estratégia.

Só sei que existem algumas músicas que eu posso dizer “essa é minha música” e geralmente a letra é grande responsável por isso. Talvez elas não tenham sido compostas pra mim, mas que as vezes parece, parece.

Dessa vez n tem videozinho. É só pra ouvir mesmo.

I won’t tell nobody
I’ll just scream it in my mind
Nothing good in life is scripted
It’s not like we predicted

That the one you want
Is gonna be the one you thought

I won’t tell nobody
But I won’t live like a prisoner
Nothing has to be so perfect
Can you tell me was it worth it
Because her heart can’t lie
And even though her face may try

Love can keep you up all night

Cause love will keep you up all night
It’s not something you can decide
One day you’re all alone
The next you’re crying on the phone
Love will keep you up all night
You got a taste of sweet divine
It took you to the other side
Love will keep you up all night

If I don’t tell a living soul
Still everyone would know

Yes they would
It’s always three AM somewhere
You know it when you get there

Some people try to cover it up
Some people think it’s never enough (never enough)

I don’t mean to scare you
But everybody has a first time
One day when you’re old and gray
Don’t look back and never say
You should have tried
Stayed up all night

Love will keep you up all night
It’s not something you can decide
One day you’re all alone
The next you’re crying on the phone
Love will keep you up all night
You got a taste of sweet divine
It took you to the other side
Love will keep you up all night

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1 resposta so far ↓

  • Hugo // Fevereiro 25, 2008 às 12:42 am

    É por isso que eu gosto de Red Hot. As letras não querem dizer abolutamente nada pra mim.

    Eu era muito feliz quando só ouvia Red Hot e System. Não me identificava com as letras e não ficava triste ouvindo algumas músicas.

    Mas agora já era.

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