“Eu sou uma contradição
e foge da minha mão fazer com que tudo que eu digo faça algum sentido.”
É mesmo, Pitty. Acho que você nunca fez tanto sentido.
“Eu sou uma contradição
e foge da minha mão fazer com que tudo que eu digo faça algum sentido.”
É mesmo, Pitty. Acho que você nunca fez tanto sentido.
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A maioria das pessoas não entende pq eu sou fã dos Backstreet Boys (como se ser fã fosse algo explicável. Quer dizer, na verdade até é, mas deixa o Grossberg, o Bourdieu e tantos outros, pra lá por enquanto). Na verdade as vezes nem eu entendo, mas o fato é que estas músicas de certa forma resgatam uma parte de mim que, as vezes, eu penso já estar morta.
Hoje eu estava lendo e tentando fazer o resumo do meu próximo artigo, dando continuidade à minha pesquisa sobre investimento afetivo e disputa simbólica no interior da comunidade de fãs dos Backstreet Boys (ou qualquer coisa parecida) e comecei a perceber algo de muito errado. De repente me deparei com o fato de que eu, por minha própria vontade, saí da posição de insider e fui pra posição de outsider, buscando, assim, um certo distanciamento que me permitisse uma análise mais clara e conclusiva. Percebi que, quando eu entro na comunidade do Orkut e fico observando aquelas meninas conversando (muitas vezes até discutindo e brigando) suas amenidades diárias ou seus sentimentos diversos (com relação à banda ou outras coisas), na verdade é como se eu estivesse olhando num microscópio um monte de moléculas se movendo. E eu começo a analisar estes movimentos e confronta-los com dados empíricos que eu já tenho e mil teorias de outras pessoas, e me vejo no final preenchendo algum relatório que resultará em algum medicamento novo ou vacina.
O que eu quero dizer é que acho que me distanciei demais, que acabei incorporando o discurso que estou tentando combater (aquele que diz que o fã é desprovido do senso crítico necessário para ter uma avaliação “distanciada” e, consequentemente, mais sensata). Em outras palavras, acho que estou deixando de ser fã…
Como eu descobri isso? Bem, eu comecei a perceber que as músicas não me emocionam mais. Todo aquele discurso sobre o amor (afinal, eles falam de alguma outra coisa?), todo aquele bla bla blá de “my love is all I have to give” , ” just to be close to you” , quer dizer, isso não parece uma grande babaquice? Lógico, as primeiras letras eram bem pobrinhas, né?! Eles foram melhorando, melhorando, até chegar em coisas do tipo “She cuts me and the pain is all I wanna feel” ou “Maybe I’d fight if I could/ It hurts so bad but feels so good”. Mas mesmo assim, até pouco tempo atrás eu achava aquelas letras idiotas, tipo “quit playin’ games with my heart” a representação exata do ideal de amor, algo infantil, que eu tinha na minha cabeça. Um amor que não liga de rimar romã com travesseiro.
Mas eu deixei de acreditar nesse amor.
Visto que aquele amor era o único que eu “tinha” e eu não tinha preparado nenhum plano B pro caso de ele deixar de funcionar, eu acho que não tenho nenhuma noção de amor pra pôr no lugar. É isso. Acho que não acredito mais no amor.
Quase todos os meus amigos já ouviram essa ladainha de mim nos ultimos dias, mas eu estou realmente convencida de que essa noção de amor que a maioria das pessoas tem, que é o mesmo dos filmes, dos livros e das músicas, não passa de uma invenção. Pior, é algo extremamente egoísta. São relações em que as pessoas só estão interessadas em satisfazer as próprias necessidades e, desta forma, já que a nossa sociedade tem essa obsessão pela monogamia, as pessoas procuram desesperadamente uma única pessoa que possa satisfazer todas as suas necessidades (”all I ever wanted comes right down to you”). Como isso raramente acontece, todas aquelas expectativas viram frustrações, as frustações viram mágoa, a mágoa vira rancor, o rancor vira ódio e por aí vai. A não ser que você tenha a sorte de a outra parte pular fora antes de avançar muito no processo ou você mesmo se toque e resolva pular fora.
Mas o que tem os BSB a ver com isso? Bem, as músicas simplesmente, de uma hora pra outra, deixaram de fazer sentido, deixaram de importar, visto que eu não acredito mais nos ideias contidos nelas. E como eu já perdi a ilusão de me casar com o Nick (ou com o A.J. ou com o Howie, dependendo da fase) pode-se dizer que 2/3 do “encanto” se perdeu. Claro que não passei a odiar todas as músicas. “Something that I already know”, do último álbum, é minha atual preferida. Repara, ela trata de rompimentos e curiosamente tem a letra mais madura de toda a carreira da banda, na minha opinião. “We’re to the point of no return/ And along the way the only thing we’ve learned is how to hurt each other”.
Mas como eu disse, eles só perderam 2/3 do “encanto”. O 1/3 que sobrou é a música em si. Ritmo, melodia e harmonia. Vai ver que no fim das contas é só isso mesmo que importa. E como eles estiveram sempre presentes, nas principais fases da minha vida, de repente é só mais uma fase que eles também vão me ajudar a superar.
Here we are, seven days
And seven nights of empty tries
It’s ritual, habitual
But it’s never gonna work this time
We’re to the point of no return
And along the way the only thing we’ve learned
Is how to hurt each other
I’m looking back and wondering why
It took so long to realize
That nothing’s changed, it never will
All these years of standing still
And still we stay in all this pain
And nothing’s gonna make it go away
I don’t wanna wait another minute
Put me out of my misery
I can read your mind baby you’re not in it
And we’re not what we used to be
No you wouldn’t have to lie to me
If you would only let me go
And I don’t wanna wait another minute to hear
Something that I already know
So save your voice
Don’t waste your breath
Can’t you see we’re at the end
And this goodbye is permanent
So wish me well and try to forget
And all the fights
And all the ways
We almost made it
But we never did
And it’s finally come to this
We can not hide what we’ve become
So sick and tired of being numb
It’s done, it’s done
It’s done
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Patrícia Matos diz:
aliás, eu tô há séculos sem ir a shows de metal, falar com pessoas ligadas a metal, e principalmente, ouvir metal
Flavio Pascarillo diz:
po que sorte a sua hein ??? uhuahuHAUHAUHA…
Flavio Pascarillo diz:
queria eu estar longe dessa merda desse underground… hehe
Patrícia Matos diz:
é uma MERDA né ?! impressionante
podre demais
Flavio Pascarillo diz:
com certeza !!!! hehe
Patrícia Matos diz:
mas algumas pessoas se salvam, e eu sinto falta delas. e de alguma forma no meio desta merda eu me sentia integrada, hahahaha . coisa q eu n sinto nos outros meios q eu frequento.
Patrícia Matos diz:
tipo a historia do pardalzinho, conhece?
Flavio Pascarillo diz:
nao !!! que historia é essa.. ?? ehehe
Patrícia Matos diz:
é assim. Um pardalzinho resolveu não migrar pro sul quando chegou o inverno. Todos os outros pardaizinhos foram e ele ficou. Aí veio o frio congelante, e ele começou a ficar doente ….
Aí quando ele estava quase morrendo ele caiu no chão, e ficou lá indefeso. Veio um cavalo e cagou em cima dele. O pardalzinho entrou em desespero e pensou “fudeu! agora q eu morri mesmo!” ….
mas depois ele percebeu que a merda o estava esquentando, a temperatura do seu corpo aos poucos voltava aos níveis normais. E aí ele ficou feliz, pq estava todo quentinho na merda e começou a cantar.
Aí veio um gato que, ouvindo o canto do pardalzinho escavou a merda, achou o pardalzinho e o comeu!
Patrícia Matos diz:
Morais da historia:
1. Nem sempre quem caga em vc é seu inimigo
2. Nem sempre quem te tira da merda é seu amigo
3. Quem ta na merda não canta.
FIM.
Flavio Pascarillo diz:
hauhauahauhauh…
foda, gostei !!!! vou copiar….
Flavio Pascarillo diz:
um classico !!! hehe
Patrícia Matos diz:
hahahahahah com certeza! me admira vc n conhecer!
Mas então, voltando ao assunto de antes. Acho q eu me sinto quentinha e acolhida na merda do metal. hahahahahahahahahahahahahah
Flavio Pascarillo diz:
huahauhauhauahauh… linda a conclusao !!! hauha
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Estou ouvindo há cerca de uma hora no repeat “Love will keep you up all night”, uma das músicas do último álbum dos Backstreet Boys. Mas o fato de eu estar acordada até essa hora é só coincidência. Ficar acordada de madrugada organiza as minhas idéias: eu deixo os fantasmas virem todos de uma vez.
Mas ouvindo a discografia dos BSB eu comecei a lembrar de algumas passagens da minha vida. É como se cada momento tivesse uma música. Lembrei também de como cada álbum novo deles sempre tinha uma música que se encaixava exatamente com o que eu estava vivendo (lembrando que eu sou fã deles desde os 11 anos e eles estavam lá toda a minha adolescência) e eu sempre pensava: “essa é a minha música.”
É uma das coisas que sempre me encantou na música pop, o fato de a música entrar na vida das pessoas e ser uma espécie de ombro amigo, ser capaz de diminuir a sensação de solidão. Isso por que todo mundo parte do pressuposto de que o artista expressa o que sente nas letras das música, o que não é necessariamente verdade. Mesmo assim, ao ouvir uma música e achar que ela expressa exatamente o que nós sentimos a gente pensa “não sou o único a me sentir assim”.
O problema está em saber se o que o cara quis dizer corresponde, de fato, com o que a gente acha que ele quis dizer. Lembro do Humberto Gessinger, vocalista do Engenheiros do Hawaii e compositor mais indecifrável que eu conheço. Certa vez, ao ser questionado por um fã sobre o que ele quis dizer com uma determinada letra ele respondeu, simplesmente, “não sei”. Como é que o cara escreve “coração na mão como o refrão de um bolero” e não sabe o que quis dizer com aquilo?
É aí que eu começo a desconfiar do fato de uma música conseguir se encaixar em realidades tão distintas. Há pelo menos três hipóteses. A primeira eu expus num post anterior, o fato de as nossas emoções serem meio que condicionadas pela cultura pop. A hipótese mais aceita seria a de que cada um dá a interpretação que quer para o que ouve, que a música é subjetiva, etc. Mas eu comecei a pensar agora que, talvez, certas músicas sejam meio que genéricas, compostas com frases e situações clichês, banais e comuns que podem ser vividas por qualquer um. Talvez gostar de uma música envolva, em certa medida, se identificar com ela, e fazer com que as pessoas se identifiquem faça parte da estratégia.
Só sei que existem algumas músicas que eu posso dizer “essa é minha música” e geralmente a letra é grande responsável por isso. Talvez elas não tenham sido compostas pra mim, mas que as vezes parece, parece.
Dessa vez n tem videozinho. É só pra ouvir mesmo.
I won’t tell nobody
I’ll just scream it in my mind
Nothing good in life is scripted
It’s not like we predicted
That the one you want
Is gonna be the one you thought
I won’t tell nobody
But I won’t live like a prisoner
Nothing has to be so perfect
Can you tell me was it worth it
Because her heart can’t lie
And even though her face may try
Love can keep you up all night
Cause love will keep you up all night
It’s not something you can decide
One day you’re all alone
The next you’re crying on the phone
Love will keep you up all night
You got a taste of sweet divine
It took you to the other side
Love will keep you up all night
If I don’t tell a living soul
Still everyone would know
Yes they would
It’s always three AM somewhere
You know it when you get there
Some people try to cover it up
Some people think it’s never enough (never enough)
I don’t mean to scare you
But everybody has a first time
One day when you’re old and gray
Don’t look back and never say
You should have tried
Stayed up all night
Love will keep you up all night
It’s not something you can decide
One day you’re all alone
The next you’re crying on the phone
Love will keep you up all night
You got a taste of sweet divine
It took you to the other side
Love will keep you up all night
→ 1 CommentCategorias: Sem-categoria
Tagged: backstreet boys, Love will keep you up all night, unbreakable
Qualquer pessoa que me conheça minimamente sabe, entre outras coisas, que eu amo música. Qualquer pessoa que preste um pouco mais de atenção descobre que eu dou atenção especial às letras das músicas. Não é só o que está sendo dito, a mensagem em si, mas é, principalmente a forma, a estrutura das frases, as rimas. Existe também um terceiro fator que so me dei conta há pouco tempo que é o modo como as coisas são ditas.
Isso me lembra uma parte da palestra do Felipe Trota lá em Recife (a única parte que ficou na minha cabeça) em que ele falava do modo como a letra é interpretada pelo cantor e como isso influencia na reação do ouvinte( ou algo assim). Ninguém duvida da importancia disso e basta lembrar, por exemplo, do Peninha e de como as suas músicas fazem sucesso na mão (ou na voz) de grandes intérpretes, mas na sua voz são um desastre. Até o Chico Buarque sofre disso em menor grau. Mas quando eu penso em intérprete o primeiro nome que me vem a cabeça é Serj Tankian, vocalista do System of a Down e meu sonho de consumo.

Eu ja disse aqui e repito: eu me casaria com ele só por causa dessa voz. De uma maneira racional e técnica eu diria que ele tem controle absoluto sobre a voz, não só a técnica vocal mas as emoções que ela é capaz de transmitir. Ele passa do mais puro ódio a mais profunda solidão em milésimos de segundo. Eu quase posso sentir os seus pulmões se enchendo de ar, a pressão na garganta aumentando e as cordas vocais vibrando até sair uma nota nervosa. E logo em seguida os músculos relaxam, a pulsação fica mais lenta, a respiração mais profunda, o peito aperta e um lamento ecoa baixinho.
Depois que o turbilhão de emoções passa eu fico me perguntando “como este filho da puta consegue?”. Quer dizer, não é só o que ele está dizendo que parece ter sido escrito pra mim mas o modo como ele canta é exatamente como eu estou me sentindo. “You don’t care about how I feel. I don’t feel it anymore.” São duas estrofes extremamente simples (aliás, essa letra inteira é muito simples). Mas ele canta como se realmente quisesse matar o sentimento, arrancar do peito à força. Just like me…
Essa música inteira sou eu. Cada acorde. Aquele solo então! E é aí que entra um outro elemento que me faz pensar que a voz, na verdade, tem vontade própria, como na música do Chico Buarque. Também já disse nesse blog que provavelmente eu me identifico tanto com as músicas do System of a Down por elas terem muitos altos e baixos. Se considerarmos que a voz comanda todo o resto as vezes parece que ele está tentando “domá-la” o tempo todo. Como se estivesse tentando controlar as emoções mas nem sempre conseguisse evitar os rompantes de euforia ou ódio.
Contraditório, eu sei. Mas fica(m) a(s) perguntas(s): até que ponto ele é o dono da voz? Até que ponto ele a controla ou deixa que ela o controle? O que eu sei é que quando ele canta “I got nothing. To gain, to lose.” eu acredito. Seja lá quem esteja falando nesse momento, se a voz do dono ou o dono da voz.
” Foi revelada na assembléia - atéia
Aquela situação atroz
A voz foi infiel trocando de traquéia
E o dono foi perdendo a voz
E o dono foi perdendo a linha - que tinha
E foi pedendo a luz e além
E disse: Minha voz, se vós não sereis minha
Vós não sereis de mais ninguém”
Hey you, see me, pictures crazy
All the world Ive seen before me passing by
Ive got nothing, to gain, to lose
All the world Ive seen before me passing by
You dont care about how I feel
I dont feel it any more
You dont care about how I feel
I dont feel it any more
You dont care about how I feel
I dont feel it any more
You dont care about how I feel
I dont feel it any more
Hey you, are me, not so pretty
All the world Ive seen before me passing by
Silent my voice, Ive got no choice
All the world Ive seen before me passing by
You dont care about how I feel
I dont feel it any more
You dont care about how I feel
I dont feel it any more
You dont care about how I feel
I dont feel it any more
You dont care about how I feel
I dont feel it any more
I dont see, anymore
I dont hear, anymore
I dont speak, anymore
I dont feel
→ 6 ComentáriosCategorias: Sem-categoria
Ou sou melancólico porque ouço música pop?
Boa pergunta.
Eu cheguei a conclusão de que parei no tempo e ainda sou uma garota de 14 anos. Percebi que tenho os mesmíssimos sonhos, as mesmíssimas ilusões idiotas de quando eu tinha 14. Eu até ouço as mesmas músicas, vejam só. A primeira vista parece que a minha vida mudou. Não tenho mais a mesma rotina nem os mesmos amigos. Mas em essencia eu sou a mesma adolescente antisocial que prefere mil vezes se trancar no quarto ouvindo música do que encarar o mundo lá fora.

Descobri que tudo, absolutamente tudo o que sei sobre a vida, e sobre o amor mais específicamente, é o que as músicas dizem. Nada mais. (Aqui preciso abrir um pequeno parêntese para dar um crédito: Quem me fez pensar nisso foi o Jesus, num comentário que ele fez ontem no meu fotolog. Dizia exatamente isso. Que as músicas nos dizem como devemos nos sentir.) Tudo a minha volta é moldado pelas canções que eu escuto desde a adolescência. Até o céu parece de baunilha.
As músicas me dizem o que eu devo sentir, como eu devo agir e o que devo pensar. O cara perfeito pra mim (e pra milhões de garotas no mundo inteiro) é um backstreet boy. E todo mundo sabe que backstreet boys só existem cinco no mundo, e quatro estão casados. Ou seja, a menos que eu corra pra pegar o que sobrou (o Nick Carter), não vou ter muita escolha a não ser ficar procurando por ele em cada relacionamento. E quando o cara não for Nick Carter o suficiente virá a frustração, depois o rancor e, finalmente, o ódio.

Claro que existe outra saída. Eu poderia gritar pelo suporte técnico e dizer “No more dreams. I wanna live a real life.” Mas assim como o David eu morro de medo de altura e não sei se um céu de baunilha seria suficiente pra eu vencer o medo e pular. Nunca foi fácil pra mim acordar de sonhos, mesmo os ruins. Muito freqüentemente eu sei que estou sonhando (lucid dream) e as vezes o pesadelo é tão ruin que eu fico tentando acordar. Faço uma força enorme pra abrir os olhos, fico dizendo pra mim mesma “acorda”. As vezes eu abro os olhos o suficiente pra ver o quarto mas parece que algo está me puxando de volta pro sonho. É bizarro por que, teoricamente, saber que é tudo um sonho deveria ser suficiente pra você acordar…
Saber que o mundo não é uma música do U2 deveria ser o suficiente pra me fazer acordar. Deveria…
“Abre los ojos.”
The sea is swells like a sore head
and the night it is aching
Two lovers lie with no sheets on their bed
and the day it is breaking
On rainy days we go swimming out
on rainy days, swimming in the sound
On rainy days we go swimming out
You’re in my mind all of the time
I know that’s not enough
if the sky can crack
there must be some way back
for love and only love
Car alarm and back to sleep
you kept awake dreaming some else’s dream
coffee is cold, but it will get you through
compromise, there’s nothing new to you
let’s see colours that have never been seen
let’s go to places no one else has been
You’re in my mind all of the time
I know that’s not enough
if the sky can crack
there must be some way back
to love and only love
Electrical Storm
Baby don’t cry
It’s hot as hell, honey in this room
sure hope the weather will break soon
the air is heavy, heavy as a truck
hope the rain will wash away our bad luck
heeeey… heeeey…..
If the sky can crack, there must be some way back
for love and only love
Electrical Storm
Baby don’t cry
→ 2 ComentáriosCategorias: Music
Música vicia?
Uma amiga minha costuma dizer que as músicas que ela ouve são “entorpecentes musicais”. Depois de passar os últimos dois dias ouvindo System of a Down O DIA INTEIRO algumas pessoas começaram a dizer que eu eu estou viciada neles. Não é pra menos, há dois dias a mesma faixa aparece no meu MSN: Psycho.
As drogas se dividem em basicamente três tipos: depressoras, alucinógenas e estimulantes. Guardadas as devidas proporções ninguém duvida que a música é capaz de produzir qualquer um destes três efeitos. No caso das músicas que a minha amiga ouve, rock progressivo, deve ser mais o segundo tipo.
É fácil pensar em músicas estimulantes. Heavy metal geralmente produz este efeito em mim e acho que é por isso que sou conhecida por quase todo mundo como metaleira, embora eu mesma não me considere uma representante desta classe. Sim, é meu estilo preferido, principalmente por essa propriedade estimulante, mas eu tenho as minhas fases de amar e odiar metal. Acho que headbangers tem amor incondicional pelo heavy metal, coisa que eu não tenho.
Curiosamente no heavy metal também existem músicas bem depressivas. Eu tive uma fase de ouvir MUITO Nightwish (quase tanto quanto tenho ouvido System.). Eu gostava da temática (gótica-pagã) e acho que combinava com o que eu vivia há 4 anos atrás. Havia uma música que dizia “If you be the one to cut me I’ll bleed forever.” Eu achava aquilo lindo. ¬¬’
Hoje em dia eu não consigo ouvir mais de duas músicas do Nightwish sem me sentir muito mal. Esse trecho aí de cima então eu acho a coisa mais absurda. A idéia é: “eu não me importo de sofrer se for por sua causa” adaptado pra estética gótica que sempre tem que ter um “die”, “bleed” e variáveis. Imagina se eu vou querer sofrer por alguém. Quer dizer, agora. Por que eu já tive a minha fase de sofrer por opção. Graças aos deuses ela passou.
Agora, música é capaz de provocar alucinações? Alucinação é uma palara muito forte, acho que não chega a tanto. Mas e o efeito sinestésico? (Lá vem ela de novo com esse papo.) Já que eu estou comparando drogas com música e tentando descobrir se música vicia ou não (algo totalmente inútil pra um domingo ocioso de início de férias.) acho que não é crime nenhum eu dar uma viajada básica.
Eu tenho uma mania, que aos poucos fui perdendo, de ouvir uma música e imaginar uma espécie de video-clipe. Não eram imagens aleatórias, eu tinha quase um roteiro pra cada música e ia aperfeiçoando toda vez que as ouvia. As vezes eram situações que eu gostaria de viver, as vezes não. De uns tempos pra cá acho que não tive muitas oportunidades de ouvir música de maneira “comtemplativa”, digamos assim. Passei os últimos meses ouvindo música em festas, shows, ou em aula, e não tive mais tempo de ficar imaginando coisas.
Mas essa música, Psycho do System of a Down, parece que já veio com um roteiro pronto. Em parte é um mix de imagens da Penny Lane de Quase Famosos, mas só as cenas mais tristes, como a dela bêbada no quarto do hotel. Acho que é a voz do Serj nas partes lentas que me dá essa sensação de desolação, abandono. Aliás, eu quero me casar com o Serj! É sério! Primeiro, o que é aquele sotaque? (Eu a-do-ro sotaques árabes e afins) Segundo, o que é aquela voz? Ele passa do mais violento rompante de ódio à mais profunda solidão em milésimos de segundo. Talvez por isso essa música me lembre a Penny Lane, ela é tão cheia de energia e tão solitária ao mesmo tempo. Além, é claro, de o tema da música remeter imediatamente a ela.
“Psycho! Groupie! Cocaine! Crazy!“. Como bem disse meu primo, “é muito metal num verso só.”.
Psycho, groupie, cocaine, crazy
Psycho groupie coke
Makes you high makes you hide
Makes you really want to go, stop
Essa é a parte metal. A parte estimulante.
So you want the world to stop
Stop in and watch your body fully drop
From the time you were a
Psycho, groupie, cocaine, crazy
So you want to see the show
You really dont have to be a ho
From the time you were a
Psycho, groupie, cocaine, crazy
E essa é a parte deprê.
A primeira me dá vontade de bangear loucamente. A segunda me dá uma tristeza tão grande, mas tão grande.(Semelhante a que eu sinto naquela seqüência em que o Willian diz a Penny “Russel te vendeu por uma caixa de cerveja!” e ela, enxugando uma lágrima e com um sorriso diz “qual cerveja?”). Nem parece a mesma música e, ao mesmo tempo, faz todo sentido que seja. E também faz todo sentido que eu esteja “viciada” nessa música: ela consegue traduzir toda a minha bipolaridade.
Quanto a pergunta “musica vicia ou não” acho que ela é muito complexa e vou precisar de mais alguns posts.
→ 2 ComentáriosCategorias: Music
Tagged: penny lane, psycho, quase famosos, system of a down
O termo sinestesia é mais comumente conhecido como uma figura de linguagem mas pode designar também uma série de fenômenos provocados por uma condição neurológica em que um estímulo em um sentido provoca uma reação automática em outro. Algumas combinações de sentido são relativamente comuns como, por exemplo, ouvir um som e associar a uma cor ou imagem. Reza a lenda que Jimi Hendrix experimentava sensações sinestésicas, (mas ele experimentava também LSD, portanto seria impossível confirmar isso.) o mesmo dizem de Jim Morison.
De qualquer forma um músico que saiba explorar isso estaria adicionando novos elementos a harmonia funcional. A saber, a harmonia funcional é a parte da teoria musical que estuda os efeitos da escolha dos acordes e dos intervalos na reação do ouvinte, ou seja,o que faz com que uma música soe triste ou alegre, entre outras coisas. O uso de distorções, pedais de efeitos e sintetizadores também são instrumentos úteis para extrapolar os limites sonoros dos acordes e criar novos timbres.
Pra mim o que marca os anos 60 é esta necessidade de extrapolar os limites da música. De repente só ter uma guitarra e saber toca-la não adiantava, você precisava ter um amplificador com uma boa distorção (Hendrix construiu o seu próprio amplificador.), ter bons efeitos e ainda tocar de maneira a se destacar dos outros. Mais do que elevar o rock a um status de arte a década de 60 reinventou a arte e seus limites. O rock progressivo levaria isso a um nível além com sintetizadores e tudo o mais que desse sensação de viagem no tempo.
Por esse motivo o rock começou a desenvolver uma certa obsessão pela técnica, não só a técnica da execução mas a técnica de produção. Um músico que se preocupa apenas em tocar raramente sabe que a posição do microfone e até a temperatura que estiver dentro do estúdio influenciam no som, no timbre dos instrumentos. Por isso ter o controle de todo o processo se torna muito importante e a maioria dos músicos desta época em diante tem consciência disso. Por outro lado a técnica nunca superava a criatividade, a primeira estava sempre a serviço da segunda. O riff inicial de voodoo child , por exemplo, não seria o mesmo sem o wah-wah e o reverb, só dois dos quase cem efeitos possíveis.
Com certeza esses músicos também eram bons o suficiente para reproduzir o que faziam no estúdio ao vivo, técnica de execução não faltava a nenhum deles. Mas isso seria só o esperado e em termos de performance também era preciso romper barreiras mais do que simplesmente executar bem a música. As performances sempre tinham um quê de contestação. De fora ver o The Who destruindo os instrumentos poderia parecer apenas excentricidade ou rebeldia. Mas um instrumento pra um músico não é uma coisa a toa, é uma extensão de si mesmo. Então acho que não seria forçar muito a barra dizer que eles não queria só chocar os pais e deixar os adolescentes deslumbrados, (embora tenham conseguido isso)queriam desconstruir a própria noção de arte e da reprodutibilidade técnica. Traduzindo: o instrumento é só um meio de dar vazão a sua criatividade mas a criatividade não deve ser limitada por ele.
Levam esta idéia às ultimas conseqüências ao questionar até o limite dos sentidos e Tommy é o exemplo máximo da extrapolação dos limites técnicos,criativos e sensoriais dos anos 60. “He ain’t got no distractions. Can’t hear those buzzers and bells. Don’t see lights a flashin’, plays by sense of smell. Always gets a replay , never tilts at all. That deaf, dumb and blind kid sure plays a mean pinball.” Bem sinestésico, não?!
→ 1 CommentCategorias: Music
Tagged: 60's, hendrix, rock, the who, tommy
Este blog se pretende algo mais sóbrio. Sóbrio no sentido de “menos histérico”, por assim dizer. Os sentimentos à flôr da pele eu deixo pro fotolog, reservo este espaço ao pouco de razão que eu tenho.
Só que eu já postei no fotolog hoje (a saber www.fotolog.com/patriciamatos85) e não estou afim de esperar até amanhã. Além do mais ninguem lê esta bosta aqui mesmo, mal de 99% dos blogs…
Mesmo assim eu vou tentar mantêr a proposta e mantêr o controle. Vai ser difícil, estou muito eufórica com a notícia da vinda deles. (Embora as atuais circunstancias me impeçam de estar feliz de fato pelo menos isso serve de luz no fim do túnel.) Mas depois do texto que eu li hoje e de algumas reflexões que eu tenho feito atualmente acho que dá pra sair algo de útil daqui.
Ok, eles voltaram com tudo (na verdade não tinham ido a lugar algum, mas enfim) e quando a gravadora marcou uma festa de lançamento do disco eu sabia que isso não era a toa. “Estaremos aí nesta turnê” disseram eles no telão. O “aí” da frase é aqui, no Brasil! (yey!!!) Eu já havia dito “se eles querem voltar arrasando têm que vir ao Brasil, o melhor público deles está aqui.” Dizem que brasileiro esquece as coisas rápido mas eu não apostaria nisso. Tudo bem que não vai ser aquela loucura de 2001, a gente quase virando o ônibus, até por que a gente cresceu né! Mesmo assim somos fãs fiéis, e eles sabem disso.
“If you bought this record then you are truly a fan. We love you so much. Thank you for being a BSB fan. In this time and place for music, it means so much more to be a BSB fan.” Palavras de Nick nos agradecimentos do CD. (Eu sempre leio os agradecimentos.)
É Nick, significa muito ser fã nos dias de hoje. Ainda bem que você sabe. E sem ser pessimista eu acredito que somente as fãs comprarão este álbum. Por quê eu compraria um cd dos BSB se não fosse fã? Eu faria downloads… como eu faço com quase tudo o que gosto (musica, filmes, seriados,etc.) Não que o disco seja ruin e não seja capaz de se “vender”, pelo contrário. Inconsolable , a música de trabalho, é uma ótima balada. Mas não traz nada de novo. É BSB, ponto. Também pudera, eles precisam “acordar” as fãs “adormecidas”, pra isso tem que lançar algo bem familiar mesmo, não podem correr riscos. E eu até gosto do fato de a música ser bem BSB. Mais do mesmo mas é bom, eu gosto. (Gosto nada! EU AMO!)
Porém as músicas dançantes não me agradaram. Never Gone (o anterior a este e primeiro depois da coletânea de dez anos) só tinha baladas basicamente. E eu gostava da idéia de que eles estavam ficando velhos e só fariam baladas daqui pra frente. Agora eles me inventam essa. Só quero ver se vão ter o mesmo gás. (Brian pai de família, 30 anos, pós operação no coração.) De qualquer forma as músicas dançantes não estão me empolgando tanto como Everybody me empolga, ou Larger Than Life, ou The Call. Acho que é porque essas músicas têm um quê de rock ‘n roll, todas têm muita guitarra (e a última uma guitarra “latina”) Everything But Mine parece aquelas músicas velhas de discoteca. Pior, parece Believe da Cher! Tem tecladinhos e vozes “eletrônicas” … Sentiu o drama?
Mas tudo bem, dá um desconto. Eu tb não gostava de The One a primeira vez que ouvi,e algumas outras. Depois acostumei e até acabei gostando. E as baladas , que são a maioria, graças aos deuses, estão PER-FEI-TAS. Cá entre nós, é isso que eles sabem fazer de melhor! Quem no mundo não conhece o refrão de Quit Playin’ Games, As Long as you love me (tema de Por Amor) ou I Want it That Way (as três baladas principais dos três primeiros discos , pra citar só os maiores sucessos.) Se não conhece de nome com certeza já ouviu! (E muito, porque tocava direto em qualquer lugar!)
O que é Love will keep you up all night ??? Já é minha preferida! Mas não é uma balada BSB típica, tem uns elementos novos que eu ainda não identifiquei. Ainda estou viajando na mensagem romântica. E por falar em romance… Hoje na aula quando o Tiago perguntou qual o principal fator que fazia com que eu fosse fã (ou algo assim) eu disse que primeiro veio a música e depois a identificação. Mas na verdade não foi isso. Depois eu pensei bem e, sim, primeiro veio a música depois veio o amor. Pois é, palavra complicada… Com certeza eu a pronunciei mais vezes me referindo ao Nick do que qualquer outro cara “do mundo real” digamos assim. Sim, eu queria casar com ele. E ainda quero, se ele estiver afim tamos aê. hahahahahah
Mas é sério. E o texto fala que o que faz com que eu não queira matar outra fã que diga que quer se casar com o Nick é que ambas sabemos que nenhuma de nós vai conseguir isso. Por outro lado nos unimos no ódio a Paris Hilton, a vaca que teve o amor do Nick e não soube dar valor. (E ainda mete um par de chifres na cabeça do coitado! Partiu o coração do nosso Nickito! Vagabunda! Piranha! MORRA!!)
Outra coisa que me fez pensar muito sobre essas questões de fã foi o anúncio do casamento do Howie. O cara namorava a atual noiva a seis anos. SEIS ANOS! E NINGUEM SOUBE DE NADA! Pára tudo. Há seis anos eles estavam no meio da Black & Blue Tour. Será que valia a pena sacrificar o relacionamento dele em nome da carreira? Será que era necessário este segredo todo? Será que ele perderia muitas fãs se a mostrasse e a levasse nas turnês?Fato é que hoje estão quase todos casados/noivos/com filhos. Mas o Nick tá solteiro! Ainda há esperança!
Então, eu tenho muita curiosidade sobre isso, queria muito estudar essa questão de fãs e tal. Mas pra isso eu teria de pegar qualquer outro grupo que não fãs de Backstreet Boys. Fica a dica pra quem resolver se aventurar, eu acho um campo muito interessante. Eu vou pesquisar Heavy Metal e Wicca que é o melhor que eu faço.
Abaixo: comercial do novo cd dos EUA e video-clipe de Inconsolable.
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* documentário sobre os Rolling Stones e o show de Altamont , Califórnia ,1969.
** trabalho de Comunicação e Música Popular Massiva.
Os anos 60 e 70 marcaram a consolidação do rock como gênero popular massivo. Seria impossível imaginar um festival como Woodstock e até o próprio evento de Altamont antes disso. Era um momento político e social muito agitado e talvez por isso a música dessa época seja tão enérgica e as reações a ela tão intensas. O rock começava a arrastar multidões e como já não fosse uma tarefa difícil conter essas multidões enlouquecidas pela música, o álcool e as drogas levavam as coisas ainda mais para as últimas conseqüências.
Rolling Stones (junto com Led Zeppelin) são o melhor retrato deste cenário. Só a figura de Mick Jagger já congrega uma boa parte desses elementos: sua performance que demonstrava um enorme envolvimento com a música, suas roupas e sua postura. Quando Jagger diz que “isto não é um show, é só uma maneira de estarmos juntos” traduz uma idéia de confraternização, de união através da música. Mas também retrata um pouco da “onda esotérica” que tomou conta daquela época no sentido de encarar tudo como se tivesse um propósito maior do que o aparente.
Por outro lado não há praticamente nenhum tipo de crítica social na música desta época, (depois de entregar o trabalho é que eu lembrei que a letra de gimme shelter fala de guerra, mas também não lembro de nenhuma outra.) nenhum tipo de reivindicação de classe. A contestação estava nas atitudes. O ato de uma pessoa tirar a roupa e ficar totalmente nua no meio da multidão pode significar livrar-se das amarras sociais ou apenas uma enorme necessidade de liberdade ou ainda o efeito de álcool e drogas pura e simplesmente. Mas o fato é que choca. Choca por que numa sociedade onde liberdade é só uma palavra ver alguém totalmente livre (simbolicamente falando) e não poder fazer o mesmo incomoda. Pensar que “a sua liberdade acaba onde a do outro começa” é admitir que todos são escravos de convenções sociais e principalmente das próprias convenções e por isso ao ver alguem tirar a roupa nem sempre somos capazes de fazer o mesmo.
A música dos Rolling Stones é atual por carregar essa necessidade de liberdade e diversão. Apesar de o momento não ser o mesmo e as letras nem sempre tratarem deste tema a levada das músicas traduz este sentimento de forma bastante eficaz. Musicalmente um fator interessante nos Stones é que o ritmo é marcado pela bateria e pela guitarra. (Na maior parte das bandas baixo e bateria marcam o ritmo – a cozinha – guitarra e vocal fazem a linha melódica.) Algumas vezes até o vocal têm essa “função”. Na verdade é como se nada tivesse uma função hermeticamente determinada na música, como se o ritmo – a levada – estivesse “no ar” e eles só tivessem que acompanhar. Mas ritmo e levada não são a mesma coisa. Ritmo é o compasso e o andamento em que a música está, levada é o que te faz ter vontade de dançar , ou seja, seguir o ritmo da música com o seu corpo. É como se uma força externa estivesse te levando e você não fosse capaz de resistir. E pra mim isso traduz muito melhor a idéia de liberdade do que qualquer ideologia ou teoria.
Outro fator ligado a questão da liberdade é a noção de tempo. Cada vez mais o homem moderno vive escravizado pelo tempo. A cena de Easy Rider em que o personagem de Peter Fonda joga fora o seu relógio antes de cair na estrada ,citada em Motoqueiros Selvagens em que John Travolta joga fora o celular, podem ser comparadas com a cena de Gimme Shelter em que estão todos no estúdio ouvindo Wild Horses. Ali está claro que ,ao ouvir a música, todos esquecem do tempo (relógio) e do mundo lá fora (celular). E por falar em motociclistas a cena em que , no meio daquela confusão toda, um Hells Angel dança distraidamente com sua namorada também é emblemática.
A busca por estados alterados de consciência , desligamento da noção de espaço e tempo, pode explicar o uso exagerado de álcool e drogas em eventos como esse e o fato de estes elementos sempre estarem associados ao rock. Essa mistura perigosa frequentemente resulta em rompantes de violência e por essa razão, como dito anteriormente, seria uma tarefa muito difícil conter uma multidão daquelas (ainda por cima alcoolizada) com algumas dezenas de Hells Angels (também alcoolizados).
Infelizmente Rolling Stones é a única banda desta época, que eu me lembre, que continua com a formação original e na ativa (!). ( Não, não estão com a formação original. Mas, whatever) Isso facilita que a sua música ainda seja muito tocada. Mas parece que já nos acostumamos com essa “rebeldia” toda, passamos a achar algo natural, nada além de excêntrico,os grandes shows deixaram de ser um evento e uma menina tirando a blusa na praia de copacabana parece um dé já vú , sem simbolismo nenhum. Rolling Stones virou uma caricatura sessentista (e sessentona!) bem como Hells Angels (também sessentões) viraram quase peça de museu sem sombra daquela energia (e violência) toda. O tempo passa. Fazer o que se eu nasci na época errada?
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