Show me the meaning of being stupid.

Tem uma coisa que me preocupa muito no fim da exigência do diploma de jornalismo: é essa coisa de as pessoas acharem que QUALQUER BOÇAL pode ser um jornalista. Me chame de romântica mas, até onde me conste, ser jornalista é ter paixão pela notícia, por levar informação às pessoas. Claro que você pode virar jornalista só porque gosta de escrever, e acho isso super válido, mas algumas pessoas levam isso para um outro lado, o do egocentrismo. 90% destas viram blogueiros e os outros dez são pagos para escrever merda em grandes portais.

Explico-me: Ontem, dia 5 de outubro, Brian Littrell, membro do grupo Backstreet Boys foi diagnosticado com a Influenza A, ou gripe suina. Aparentemente Brian contraiu a doença no Japão, onde os Boys gravaram o clipe para o próximo single, “Bigger”, e de onde retornaram a apenas alguns dias. A banda teve de cancelar compromissos de divulgação do novo álbum, cujo lançamento é justamente hoje, 6 de outubro. De quarentena, Brian gravou um vídeo com uma webcam pedindo desculpa aos fãs por ter tido de cancelar alguns compromissos e aparentando estar bastante debilitado.

Observando os devidos limites em se fazer graça com a doença de alguém, é claro que rolou muita piada com o assunto, inclusive entre os fãs (eu inclusa), mas uma em especifico chamou atenção pelo alto nível de preconceito e baixo nível de inteligência. Foi um post divulgado no Portal MTV* que, além das previsíveis piadinhas a respeito da doença de Brian, chegou à incrível conclusão de que o vídeo gravado por ele seria uma (observem a complexidade deste pensamento!) uma estratégia de marketing para promover o álbum.

 Claro, claro, pra quê aparições na TV e outras ações de divulgação quando você pode ficar deitadinho num quarto de hotel, de quarentena? Melhor ainda, você pode gravar um vídeo mostrando o quanto você está dodói, as fãs ficam morrendo de peninha e, como num passe de mágica, o álbum estará promovido e bombando nas vendas. Olha, eu não teria pensado nisso. Parabéns a quem teve essa idéia brilhante!

Não quero ficar dando uma de especialista aqui, mas acho que posso falar como alguém que tem observado esse contexto de forma precisa e (há quem diga) imparcial**. Admito que um olhar displicente pode ter exatamente a impressão que este infeliz teve, mas ainda acho essa uma visão muito ingênua, superficial e obsoleta. Nós fãs sabemos (e eu como pesquisadora sei) que há muito mais por trás do vídeo e do pedido de desculpas de Brian do que uma tentativa barata de promover um álbum e acho que um jornalista deveria saber disso.

Mas, ok, um cidadão que escreve no Portal MTV não precisa ser necessariamente um jornalista e é isso que me mata, tanto no jornalismo online (que é um negócio que me enerva profundamente) quanto no fim da obrigatoriedade do diploma. Na verdade a questão não é nem o diploma em si mas esse oba-oba de midialivrismo, web 2.0 e o diabo a quatro, é o fato de um cara poder escrever num portal de grande repercussão como se fosse o seu blog pessoal.

A nota repercutiu entre os fãs que entupiram o espaço para comentários com mensagens desaforadas e emplacaram a tag #FuckYouMTVBrasil entre os assuntos mais comentados no Twitter entre os brasileiros, justamente no dia do lançamento do álbum. Em entrevista dada ao portal após a repercussão, o cidadão ainda disse que perdemos tempo o atacando em vez de fazer campanhas para divulgar o álbum. Mais uma análise inteligentíssima e cheia de fundamento.

Se você está lendo esse blog é bem provável que me conheça minimamente e , portanto, saiba que sou apaixonada por esses caras desde os 12 anos de idade (hoje tenho 24- faz as contas). Claro que essa história me irritou um pouco como fã mas me irritou muito mais como comunicadora. Não é de hoje que a MTV acha bonito sacanear artistas e bandas e o humor inteligente e o sarcasmo mandaram beijos. Isso não é sobre os Backstreet Boys ou um grupinho de fãs despeitadas ou um moleque blogueiro de 19 fazendo o que moleques de 19 anos fazem, é sobre um meio de comunicação,(um veículo que já foi absurdamente poderoso e poderia ser muito mais caso fosse bem administrado) que já perdeu completamente a credibilidade. Em outras palavras #FuckYouMTVBrasil

 —-

 *Não vou pôr o link. Não vou dar pageviews pr’essa gente.

 ** Há alguns semestres (tantos que já perdi a conta) desenvolvo uma pesquisa acadêmica sobre os fãs dos Backstreet Boys. Mais detalhes aqui.

Em tempo, o cara pede desculpas às fãs por ficar doente. Sério. Não tem como não amar! #getbetterBRIAN

1 comment Outubro 7, 2009

Flash Forward é o novo Lost?*

*com spoilers para quem não assistiu ao episódio piloto de Flash Forward ou as últimas duas temporadas de Lost (seu maluco!).  

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Ação, tensão e muito, muito mistério: a fórmula que consagrou a série Lost, criada por J.J. Abrams, é o principal elemento de Flash Forward. Não é a toa que a nova série da rede ABC, que estreou na última quinta-feira 24, teve seus primeiros teasers divulgados nos intervalos da 5ª temporada de Lost. Vídeos com duração de aproximadamente 10 segundos mostravam imagens rápidas seguidas da frase “what did you see?” (“o que você viu?” em português) e foi o suficiente para aguçar a curiosidade de espectadores.

Na internet começaram a ser divulgadas informações sobre o mote principal da série: Em uma manhã aparentemente normal toda a população mundial sofre uma espécie de blackout e desmaiam ao mesmo tempo. Os desmaios tem exatamente a mesma duração, dois minutos e 17 segundos, e em praticamente todas as ocasiões as pessoas experimentam o que parece ser uma alucinação. Alguns acordam, outros não, já que muitos estavam dirigindo ou em aeronaves, no momento do apagão, e uma quantidade incontável de acidentes de diversas proporções ocorre em escala global. As causas do fenômeno ninguém sabe, mas todos tem certeza de que o que viram durante seus desmaios não foi alucinação e tampouco lembranças do passado: foram visões do futuro.

 As semelhanças com o fenômeno Lost vão desde a estruturaLost-Jack-Kate narrativa até o que parece ser a chave para todo o mistério: as viagens no tempo. Em Lost o conceito de Flash Forward foi introduzido como recurso narrativo no fim da 4ª temporada. No episódio vemos Jack e posteriormente Kate em cenas que, por não se passarem na ilha, dão a impressão de serem visões do passado (flash backs, portanto) até que os dois iniciam um diálogo que termina com a já antológica frase dita por Jack “we have to go back!” (“Nós precisamos voltar!”). Percebemos atônitos que Jack se refere à ilha e o que estamos vendo é uma visão do futuro! Mas será que este futuro irá, de fato, se concretizar? Será que os personagens tem o poder de modificar o curso dos acontecimentos? Estas são questões comuns aos personagens de Flash Forward que, ao se deparar com visões de seu futuro próximo – todos visualizaram o mesmo momento do futuro que ocorrerá dali a exatos seis meses – alguns desejam que estas visões se concretizem e outros se sentem levados a tentar evitar que aconteçam.

 Mark Benford, agente do FBI e personagem principal da série, passa a investigar as causas do fenômeno tendo como ponto de partida seu próprio Flash Forward. Na visão que Mark tem de seu futuro ele está em seu escritório tentando juntar as peças da investigação acerca do fenômeno. São justamente as pistas que ele tem acesso em sua visão do futuro que serão o ponto de partida para a investigação que aparece em sua visão. Confuso? Não para os Lostmaníacos que já estão mais do que acostumados com o famoso looping temporal e a descontinuidade do espaço-tempo.

 flash-forward-lost-easter-eggQualquer semelhança não é mera coincidência e há quem já tenha observado easter eggs relacionados à Lost no episódio piloto de Flash Forward – como um cartaz da Oceanic Airlines, companhia aérea fictícia de Lost. Mesmo com todas as comparações que possam ser feitas entre as duas séries, Flash Forward já mostrou a que veio no episódio piloto (que vazou na internet uma semana antes da estréia). Com rítmo próprio de revelações por minuto o episódio de estréia foi repleto de emoções desde o início e, diferentemente de Lost, dá indícios de que manterá o rítmo até o fim.

 

Flash Forward vai ao ar na rede norte-americana ABC nas noite de quinta-feira. Episódios e legendas podem ser baixados aqui.

Abaixo teasers e promo da primeira temporada da série.

1 comment Setembro 28, 2009

Eu jurei que não falaria mais de Michael Jackson neste blog…

… mas vocês hão de concordar que, durante algum tempo, vai ser difícil evitar.

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Acabei de assistir ao trailer de This Is It, documentário com imagens dos ensaios para a turnê homônima que Michael preparava logo antes de morrer. Devo dizer que assim que ouvi falar que esse filme seria feito tive certeza de que seria uma baita exploração desnecessária, como, aliás, é de costume em se tratando de Michael Jackson.  Mesmo assim eu tive vontade de assistir simplesmente por (1) se tratar de um documentário e (2 )ser sobre Michael Jackson. Mas este trailer levou a coisa toda para um outro nível.

A sensação é de estar vendo um filme que já sabemos o final, ou um episódio da sua série favorita com severos spoilers. Porém não se trata dos últimos dias do Rei do Pop. A mim pareceu o cotidiano de trabalho  de um artista em pleno processo criativo.  Ele não faz idéia do que lhe acontecerá em seguida (e algum de nós faz?), apenas deseja dar o melhor de si e diz estar “feliz por poder proporcionar isso às pessoas”.

8502271De fato, o que vemos é um Michael disposto, em forma (para um homem de cinquenta anos) e de certa forma feliz, o que é, ao mesmo tempo, uma pena e um consolo.  Além disso o filme permitirá que tenhamos uma idéia do que poderia ter sido o retorno do rei (sem trocadilho nerd), a volta aos palcos de uma figura lendária e ícone mor da música pop. E se antes eu apenas tinha curiosidade de assistir ao filme, agora eu vou fazer DE TUDO para conseguir este ingresso, como se este fosse o ingresso para o seu último show (o que não deixa de ser, de certa forma).

Por isso não vou mais prometer parar de falar em Michael Jackson no blog pois, dia 30 de outubro, uma resenha com certeza aparecerá por aqui. Também não vou ficar aqui divagando e teorizando sobre o impacto da morte dele na vida de todo mundo pois já o fiz em posts anteriores.  Mas ainda fico com um nó na garganta quando vejo declarações tão sinceras como o discurso de Madonna ontem no Video Music Awards, da MTV.

This Is It será exibido em diversos países e ficará em cartaz por apenas duas semanas.  No Brasil ainda não sabemos quais serão as cidades (mas eu vou até o fim do mundo se preciso!) Maiores informações aqui.

 

Add comment Setembro 14, 2009

[Podcast] Communication Breakdown #2

De The Monkees a Backstreet Boys: Conheça as Boy Bands, de onde vieram e pra onde foram. Saiba qual grupo acabou queimando o filme de todos os outros  e descubra se os Beatles, afinal, são ou não uma Boy Band.

O espaço para comentários e o email midcultpop@gmail.com estão à disposição de vocês para elogios, críticas, sugestões e  ataques pessoais. 

 

Se estiver com dificuldades para ouvir o pod, quiser fazer o download ou assinar o feed clique aqui.

Set list:
The Monkees – I’m a Believer
The Jacksons Five – ABC
Menudo – No se reprima

Polegar – Dá pra mim
New Kids on the Block – Step by Step
Backstreet Boys – Everybody

Comentado durante o cast:

Video clipe de Pop! Goes my heart (da Boy Band fictícia do filme Letra e Música)

 

Participe também da enquete:

4 comments Agosto 19, 2009

Age of aquarius. Aaaaaage of aquariuuuuus.

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Rock ‘n Roll rolando solto, grandes músicos no palco, milhares de pessoas reunidas, álcool, sexo e drogas liberados, nem uma briga sequer. Paraíso? Quase. Isso foi o festival de Woodstock (ou que nossos pais nos contam dele). Não vou escrever um mega post romântico e nostálgico sobre o assunto, mas se você quiser ler algo parecido basta jogar no google, tenho certeza de que vai encontrar muitos, muitos posts.

SSB_Woodstock_69O que me intriga mesmo sobre Woodstock é como ele foi possível.  Depois de pensar um pouco cheguei a conclusão de que, só mesmo uma guerra, uma situação muito extrema, pra fazer tanta gente se reunir com um único objetivo. Minha tese de que as situações extremas revelam o melhor e o pior do ser humano ganha cada vez mais força (e daí vem a minha paixão por filmes de catástrofe. Mas já estou desviando do assunto…) Infelizmente parece que a nossa tolerância vêm aumentando. As guerras e suas atrocidades não nos comovem mais, e o Rock ‘n Rio, que foi o evento que mais se assemelhou a Woodstock até hoje, nem é mais no Rio (e a parte do rock eu nem comento).

Mas se por um lado um evento como este hoje seria quase impossível de se repetir (e o próprio woodstock teve reedições que não repetiram o sucesso) alguns fenômenos dos dias atuais me impressionam tanto quanto. Coisas como todo mundo com avatar customizado de Coringa antes da estréia de Cavaleiro das Trevas, centenas de milhares de pessoas discutindo teorias sobre Lost em fóruns da internet e tudo isso que faz com que a gente se sinta parte de uma comunidade, mesmo sem estar dividindo o mesmo espaço.

O nosso “estar junto” mudou e, por mais que eu sempre diga que queria ter nascido nos anos 60,  é preciso aceitar que eu sou uma criatura do meu tempo. Isso quer dizer, em termos práticos, que por mais incrível que podesse ser ver o The Who e aquela gente toda reunida, eu jamais sobreviveria ali sem chuveiro elétrico e Twitter, pra dizer o mínimo. Quer conflito de gerações maior do que esse? :P

Add comment Agosto 15, 2009

“Quanto valem os seus sonhos?”: Ultimo filme de Heath Ledger vai finalmente chegar aos cinemas.

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Mesmo não sendo o ator principal, The Imaginarium of Dr. Parnassus vai ser lembrado para sempre como “o último filme de Heath Ledger”. O ator morreu durante as filmagens do longa, dirigido por Terry Gillian (esse mesmo, o do Monty Python). Muita gente achava que o Coringa havia sido seu último trabalho e creio que uma parte do hype em torno de O Cavaleiro das Trevas (2008) e do personagem tenha vindo daí. Mas para aqueles que, assim como eu, sempre admiraram o trabalho dele, ou que passaram a respeitá-lo depois do primoroso Joker, este é o bis que merecíamos.

15915-2009-05-25-11 58 34_3Dr. Parnassus é um contador de histórias imortal que viaja com seus companheiros pelo mundo com um espetáculo cuja principal atração é um espelho mágico que pode transportar todo o público que o assiste aos lugares mais insuspeitados de sua imaginação. Já no trailer (que você pode ver no fim deste post) somos presenteados com a visão de um universo mágico do tipo que Terry Gillian sabe criar como poucos. Vide, por exemplo, As aventuras do Barão Munchausen(1988) e Irmãos Grim(2005) – este último também com Heath no elenco.

Após a morte repentina do ator em janeiro de 2008 acreditava-se que o filme permaneceria incompleto, mas Gillian tinha outros planos. Decidiu então chamar ninguem menos que Jude Law, Colin Farrell e Johnny Depp para contribuir com o personagem e terminar o filme em memória de Headoctorparnassus_lth. Como a vida não cansa de nos ensinar, há males que vem para o bem e o resultado da mistura de intérpretes promete acrescentar ainda mais magia à história. Em entrevista coletiva de seu filme mais recente, Inimigos Públicos (2009), o gentleman Johnny Depp falou sobre a substituição: “Teria sido um horror pensar que esse último trabalho do Heath, que era grande, pudesse passar despercebido. Então, o que eu disse para Terry Gilliam foi, ‘Se há uma maneira de fazer isto respeitosamente, e poder terminar o filme, eu fico mais que feliz em ajudar.” Como se já não fosse imperdível o suficiente o longa ainda traz Tom Waits no elenco, que interpreta um demônio.

Heath Ledger recebeu um Globo de Ouro e um Oscar póstumos de melhor ator coadjuvante por sua brilhante atuação em Batman, O Cavaleiro das Trevas. The Imaginarium of Doctor Parnassus, ainda sem título em português, tem estréia prevista para 16 de outubro nos Estados Unidos mas não tem previsão de chegar ao Brasil. De qualquer forma só o fato de esta obra poder ver a luz do dia já é uma boa notícia, não é mesmo?

A sabedoria popular diz que há solução para tudo, exceto para a morte. Terry Gillian acaba de nos provar que até para isso existe uma solução, mesmo que ainda seja só mágica. “Always look on the bright side of death”.

Patrícia Matos assistirá Dr. Parnassus na estréia, com uma big barra de chocolate e um pacotinho de lenços de papel.

Para saber mais:

Abaixo, o belíssimo trailer.

Add comment Agosto 10, 2009

Yes, we can sing. – Uma Boy Band em crise de identidade.

Libra, and my name is Patricia.
Now, I like a guy who’s smart and serious, but also funny when all I need is laugh.
But most of all I like a guy who can finish Guitar Hero III in expert mode.
If this sounds like you, I want you to take my ha-a-and…

Tirando a poeira do blog, em rítmo de férias suinas. Não sou muito boa em prever tendências mas estou sentindo uma certa revalorização das tão estereotipadas, injustiçadas e zoadas boybands. Ou pelo menos de uma delas, a maior de todas, os incríveis, maravilhosos, lindos, absolutos (tá bom, parei) Backstreet Boooooooys.

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Os meninos estão com CD novo, This Is Us, pra ser lançado em 6 de outubro, e já lançaram o primeiro single, Straight Through my Heart, que pode ser ouvido no site do grupo. “Mas os Backstreet Boys não acabaram?”, você vai dizer, e eu vou responder: Não. E isso também não se trata de uma volta. É verdade que os Boys passaram por um hiato mais ou menos entre 2001 e 2005, quando lançaram o álbum Never Gone. Mas ninguém ficou sabendo. Isso porque a divulgação desse álbum foi uma boa bosta e vendeu pouquíssimo. Em 2007, sem Kevin Richardson (que saiu para se dedicar à família e projetos pessoais. – E quem se importa?) eles lançaram Unbreakable, que já trazia alguns elementos novos mas ainda era um álbum bastante familiar. E foi com essa turnê que os meninos voltaram ao Brasil após oito anos de espera e levaram esta jornalista sem diploma que vos escreve à falência (mas isso é outra história).

1236364758Quem é fã, como é meu caso, tem acompanhado nos últimos meses os indícios de uma mudança mais radical no estilo dos caras, através de várias músicas que supostamente vazaram durante a gravação do novo álbum. Muitas delas não me agradam. Brian Littrell disse em entrevista que eles pretendem provar de uma vez por todas que os Backstreet Boys cantam mesmo. Ora, como fazer isso com produtores que estão acostumados com artistas que não cantam e usam efeitinhos nas vozes a cada cinco segundos? O fato é que eles estão com um discurso de “busca de identidade”, que estão “se redescobrindo” e por isso o álbum se chama This Is Us. Se o produtor da Lady Gaga soube captar a verdadeira essência dos Backstreet Boys só saberemos no dia 6 de outubro.

Estou tendo um pouco de dificuldades para aceitar este novo BSB, mas isso me fez pensar em como eleThe-Stylisticss soavam no início e a evolução deles (ou não) ao longo desses 16 anos de carreira. Muita gente não sabe mas o Backstreet Boys se inspiraram muito no início da carreira em grupos vocais dos anos 70, como The Stylistics, e mais recentes, como Boyz II Men. Aliás eles se autodenominam um grupo vocal e ficam bravos quando são chamados de (arg) Boy Band. Eles sempre conseguiram administrar o lado comercial de ter uma música altamente vendável mas sem abandonar suas inspirações iniciais. Mas parece que agora a balança está pendendo pra um dos lados (e um lado que eu não gosto, diga-se). De repente eu só estou sendo nostálgica.

E aproveitando a vibe “recordar é viver” me lembrei de uma referência descarada que os Boys fazem ao grupo The Floaters. Infelizmente essa música só é conhecida por fãs, já que é uma b-side. Mas eu juro, vale muito a pena se você relevar o Kevin tentando fazer o Barry White. :P

Abaixo, as duas músicas pra você comparar. As letras você encontra aqui e aqui.

Add comment Agosto 7, 2009

[Notas rápidas] Universo fantástico ao alcance do seu bolso.

164101_4O Submarino quer nos falir a todos. Pra isso baixou os preços dos best-sellers de fantasia, como os da série Harry Potter que estão a R$9,90 cada. O universo fantástico criado por J.R.R. Tolkien também está na promoção: O Senhor dos Anéis, Silmarillion e O Hobbit podem ser adquiridos a R$12,90 cada.

O volume único de Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis, sofreu o maior desconto, baixando de R$93,20 para R$29,90. O volume único de O Senhor dos Anéis está R$49,90 e a série Sandman, de Neil Gaiman, R$29,90 cada (OMG OMG OMG). Livros das séries Crepúsculo e Eragon também estão na promoção.

Segundo o email que recebi as ofertas são válidas até 16 de julho  ou enquanto durarem os estoques.

[Atualização do dia 27/07: Até o momento os preços ainda estão valendo e ao que tudo indica devem valer até o fim do mês]#Corrão.

Patrícia Matos vai finalmente tomar vergonha e ler O Hobbit.

1 comment Julho 15, 2009

It’s been a long lonely lonely lonely lonely time.

Ok, esse blog leva o nome de uma música do Led Zeppelin e acho que isso já explica muita coisa.  Sou baterista (pelo menos eu gosto de pensar que sou, já que não pego numa baqueta há mais de ano – sem piadinhas rapazes) e já tentei ser baixista uma vez (na verdade eu continuo tentando). Fato é que os três acordes fazem parte da minha vida e a música está marcada na minha pele pra sempre.

Apesar de conciliar repertórios musicais bastante conflitantes (odeio aLed-Zeppelin palavra eclética), por alguma razão eu sempre acabo no rock. Acho que no fundo tudo gira em torno disso. As vezes eu me canso, das bandas, da cena (quem conhece o metal underground carioca sabe do que eu tô falando), mando todo mundo pro inferno, sumo jurando nunca mais voltar e vou flertar com a MPB, o pop , o samba, o diabo.  Mas o bom filho à casa torna, sempre.

O que me atrai tanto é que, basicamente, o rock não é só uma música, é um estilo de vida.  Ninguém resolve usar camisetas de banda um verão e depois desiste da idéia. Ou você tem o armário abarrotado de roupas pretas ou não tem. Pelo menos até o dia em que você se dá conta de que mora no Rio de Janeiro, onde faz um calor f*dido e é uma p*ta idiotice sair que nem um corvo todos os dias. Mas até lá você vai costumizar o seu All Star e rabiscar a mochila com nomes de bandas. É ou não é ou não é ? É!

Isso acontece porque você quer mostrar pra todo mundo quem você é. Você se expressa na música que você ouve, ela fala por você e quando esse discurso vem acompanhado de spikes, jeans rasgado ou qualquer coisa que te converta em alguem diferente dos outros, tanto melhor. Foi justamente no cerne da cultura de massa que surgiu a cultura cujo propósito principal, se você for reparar bem, era fazer as pessoas se sentirem diferentes, únicas.  Quanto mais fora dos padrões melhor. Uma busca incansável pela famosa e internacional distinção (tudo sempre acaba em Bourdieu também).

Mesmo pregando contra a cultura de massa, o mainstream, o rock não existiria como música popular massiva não fossem as condições de produção e distribuição que essa mesma cultura criou. O que é algo extraordinário e prova de que o suposto antagonismo mainstream X underground não passa de criancice (ouviram, headbangers?).  Rock e mídia são inseparáveis, unha e carne, baixo e bateria, Jimmy Page e Robert Plant, Metallica e Megadeth (hehehe).

Por falar em Metallica, em breve farei um top 5 dos melhores filmes, ficção e documentário, relacionados a bandas de rock, incluindo Some Kind of Monster, documentário sobre o Metallica que eu assisti ontem (!). Enquanto isso fiquem com a lista do Tudo Está Rodando de dez músicas com rock até no nome e com o ensaio de uma banda revolucionária mas que, no momento, está parada e seus integrantes investem em projetos pessoais. XD

Eu sei que o vídeo tá mega escuro, mas é que o estúdio é underground. :P

Long live Rock ‘n Roll!

2 comments Julho 13, 2009

O 11 de setembro da música pop.

Alguem me disse sobre as justificativas: os amigos não precisam e o restante das pessoas não acredita. De qualquer maneira sinto que preciso justificar o atraso desde post, já que o referido evento ocorreu há dias. Três palavras: final de período. :)

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O ano é 2001. Estou me arrumando para ir pra escola (é, escola. Eu estava no segundo grau) e assistindo TV ao mesmo tempo (como sempre). Entra o plantão, aquele da musiquinha que dá medo. Aparentemente um avião acaba de se chocar contra o World Trade Center. Até ali só um incêndio em um prédio a milhares de quilômetros de distância de mim (pensava eu) quando, de repente, outro avião se choca contra a outra torre, ao vivo, diante dos meus olhos, diante dos olhos do mundo inteiro. Corta.

Sete de julho de 2009, estou me arrumando para ir para o estágio, a TV mostra imagens aéreas de Los Angeles, nas imediações do cemitério Forest Lawn. Carros pretos saem, o helicóptero os segue. Eventualmente ocorrem cortes para a área do Staples Center, estádio do Los Angeles Lakers, onde supostamente ocorreria uma cerimônia fúnebre em memória de Michael Jackson. As pessoas se vestem de várias maneiras: alguns como se fossem à cerimônia do Grammy, outros como a caminho de um show de rock. O evento que aconteceria ali não estava muito longe nem de uma coisa nem de outra.

Na sala de TV do colégio alguns alunos, professores e funcionários assistiam atentos o noticiário, que não cansava de repetir a imagem do avião se chocando contra a torre. De vez em quando algum professor (de história ou geografia) esboçava algum comentário. Todos tinham sua teoria, cheia de fundamentos que, a partir dali, se mostrariam cada vez mais insuficientes. Salto temporal para 2009, redes de TV do mundo todo interrompem sua programação para transmitir ao vivo o memorial de Michael Jackson, com tradução simultanea e comentários. Pela internet através de dezenas de sites, milhões de pessoas acompanhavam e comentavam em tempo real o evento que contava com grandes nomes da política e da música norte-americanos.

g276258b075bf915565b91f817138cd1f11c7e4088ca143Durante a transmissão do memorial o Twitter teve alguns picos de tráfego e a maior parte dos assuntos mais citados pelos usuários estava relacionada ao evento. Falava-se sobre a boa forma de Broke Shields, a performance vocal de Mariah Carey e coisas do gênero. Logo após o depoimento emocionado da filha do cantor, Paris Jackson, o nome da menina já era o segundo assunto mais citado no site, seguido de perto pela tag #thankyoumichael (”obrigado, Michael” em português). O nome do cantor consta na lista dos dez tópicos mais citados no Twitter desde a sua morte, quando a enorme quantidade de mensagens sobre o fato provocou a queda temporária do serviço. A Globo News criou uma conta no site especialmente para a cobertura do evento. Através do endereço twitter.com/adeusmichael o jornalista Jorge Pontual enviava atualizações diretamente de dentro do Staples Center em tempo real. No estúdio três comentaristas narravam os fatos como se fosse desfile de escola de samba. Mas o que mais me impressionou foi o site TMZ e seu live streaming tentando capturar detalhes secretos e furos como onde a família Jackson iria almoçar após a cerimônia.

Apesar do aspecto e estrutura de grande prêmio de música havia ali um caixão dourado, coberto com flores, que não nos deixava esquecer que se tratava de um funeral. O caixão fechado mostrado sempre com parcimônia pela edição das imagens, nunca com planos muito longos nem muito próximos, como que temendo se aproximar da verdade que estava guardada ali, aquele caixão carregava uma série de verdades incômodas a respeito não só da família Jackson mas de todos nós.

Felizmente a audiência do evento, tanto pela TV como pela internet, não alcançou as espectativas dos especialistas 021297494-fmmp001que previam números maiores que a posse de Barack Obama. Sinal de que ainda conseguimos diferenciar o que é realmente importante e o que é pão e circo. Definição, aliás, utilizada por Elizabeth Taylor, amiga de Michael, para justificar sua ausência no evento. Mas não foi um circo qualquer, foi um espetáculo midiático de proporções até bastante coerentes com a trajetória do idolo. “O espetáculo era parte integrante da vida de MJ e não haveria de estar ausente justo no epílogo.” apontou Bia Abramo na Folha de São Paulo. Mesmo que a exploração do fato pela imprensa e, principalmente, pela própria família Jackson seja de causar enjôo não pude deixar de acompanhar com certa empolgação todo o hype midiático do último dia 7.

Assisti a cerimônia ao vivo, do estágio, através da internet, por três sites diferentes (MSN, G1 – que travava o tempo inteiro e estava impossível de acompanhar- e Globo através do Justin.TV) e acompanhei comentários via Twitter e Facebook. Me senti num daqueles momentos em que a história acontece diante dos seus olhos, como se o avião estivesse se chocando com a torre gêmea naquele instante. Guardadas as devidas proporções não resta dúvida de que, em termos midiáticos, como bem apontou o editor da Rolling Stone Brasil, Pablo Miyazawa, foi o 11 de setembro do pop. E ainda parafraseando Pablo, espetáculo midiático como este não haverá mais, até porque, Michael Jackson só existiu um.

———

Segue o link do podcast do SosHollywood que dá detalhes sobre a cobertura da morte do cantor, analisa muito bem a relação Michael Jackson e Mídia , principalmente nesses momentos finais, e que mudanças estão sendo apontadas por estes fatos.

Outros posts relacionados a Michael Jackson:
Podcast Communication Breakdown especial Michael Jackson.
O que aprendemos (ou devíamos ter aprendido) com Michael Jackson.

1 comment Julho 11, 2009

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Música, cinema, literatura, TV, games, quadrinhos e nerdices afins. Tudo o que couber no guarda-chuva da Cultura da Mídia.

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