Iron Maiden 27 e 28/03/11 @HSBC Arena, Rio de Janeiro.
“Olê, olê olê olê! Mai-dem! Mai-dem!” Um observador desatento e desavisado ou um viajante do tempo que aterrisasse no HSBC Arena naquela noite de segunda-feira poderia jurar que aquela multidão cantando feliz da vida o que parecia um hino de torcida de futebol se tratava de uma… torcida de futebol! Porém, naquela noite não existia rivalidade, estávamos todos reunidos em uma só paixão. Sim, posso dizer com orgulho que eu estava lá e pude presenciar um dos momentos mais bonitos da minha história como fã de música.
Mas antes de fazer o relato daquela noite é preciso falar da noite anterior e do sério risco que aquele show correu de não acontecer. O público, cerca de 12 mil pessoas, chegou cedo à Arena e se encarregou de lotar o lugar. E quando digo lotar estou querendo dizer lotar mesmo. Muitos fãs relataram, mais tarde, que as pistas comum e premium estavam impraticáveis e que pessoas tentavam pular para as cadeiras devido a falta de espaço.
Não dá pra dizer que o público estivesse extremamente ansioso para rever os Irons no palco já que a banda esteve no Brasil pela última vez há exatos dois anos (em março de 2009) com a turnê nostálgica Somewhere Back in Time, além de ter virado figurinha fácil no país nos últimos anos (a banda veio 4 vezes ao Brasil só na última década). Porém, como em todo e qualquer evento de grande porte, principalmente no caso de bandas que possuem uma base de fãs forte (daqueles que querem estar pertinho dos ídolos e ignoram leis básicas da física como “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço”) houve certo empurra-empurra próximo à grade quando o Maiden começou a tocar os primeiros acordes. Tudo normal não fosse a grade de proteção que separa o público do palco ter cedido. Friso aqui a palavra proteção pois é justamente essa a função da grade, garantir a segurança do público e da banda, permitindo um “respiro” para que (1) as pessoas não fiquem coladas ao palco correndo o risco de serem esmagadas e (2) para que os seguranças possam retirar pessoas que eventualmente passem mal. Muito bem, preciso dizer que garantir a segurança do público deve ser a principal preocupação de qualquer produção de evento? Não, né. Nesse cenário, Bruce Dickinson foi obrigado a anunciar o adiamento do show para o dia seguinte. Imagens valem mais que as mil palavras que ainda tenho para escrever sobre isso, então vamos aos fatos:
Frustração era uma palavra que poderia definir bem o sentimento daquela noite, não fosse a confiança dos fãs de que o Iron jamais os decepcionaria. A Dama de Ferro transporia mais essa barreira (foi mal o trocadilho infame) e faria um show inesquecível, épico, pra ninguém botar defeito. E foi exatamente o que aconteceu. A compensação pelos transtornos da noite anterior não veio, como se esperava, na forma de um set list maior mas certamente em energia e carisma. Bruce Dickinson, no auge de seus 53 anos e em invejável forma física, só faltou dar cambalhotas no palco em meio a muitos “Scream for me, Rio!“, seu famoso bordão. O vocalista também chegou a brincar com a platéia sobre o episódio da noite anterior: “Vejam! Nós temos aqui uma bela grade, novinha em folha e vocês não tiveram de pagar por ela! Melhor ainda, NÓS não tivemos de pagar por ela! Algum filho da puta pagou por ela!” Bruce ainda agradeceu ao público por terem voltado e, em seguida, a banda começou a tocar The Talisman, uma das faixas do novo álbum.
The Final Frontier é considerado por muitos fãs o melhor álbum da banda desde a volta de Bruce Dickinson em 1999. Após a turnê Somewhere Back in Time, que traçava um panorama dos 30 anos de carreira da banda e tocava músicas dos anos 80 para uma platéia que, em grande parte, nem era nascida naquela época, o Iron agora está olhando para o futuro. Um futuro pós-apocaliptico meio Doom meio Battlestar Galactica; dois foguetes e um céu estrelado completavam o cenário de ficção científica. As novas canções foram bem recebidas, inclusive El Dorado, vencedora do Grammy de Melhor Performance de Heavy Metal, mas o Maiden não deixa de lado a tradição.
Mesmo para a parcela mais jovem do público (vi muitos garotos que, pra mim, não podiam passar dos 15 anos) era impossível resistir aos riffs de The Trooper ou ao refrão poderoso de Fear of The Dark, esta última, aliás, especialmente marcante pra nós, cariocas e para toda uma nova geração de fãs que se formou nos anos 2000 (Lembra do Rock In Rio III e da Rádio Cidade tocando in-can-sa-vel-men-te a versão ao vivo dessa música, gravada no evento, durante vários meses depois?).
Me chamou atenção a presença de duas músicas do álbum Brave New World, de 2000, no set list: The Wicker Man e Blood Brothers. Essa última, confesso, nunca achei lá essas coisas, mas seguida por um breve e comovente discurso de Dickinson sobre o terremoto no Japão e sobre o sentimento de comunidade que une os fãs do Maiden, não teve como não cantar junto. Aliás, cantar junto, vibrar junto, estar junto, parece que é sobre isso que se trata um show do Iron Maiden. A música é o motivo de tudo mas ao mesmo tempo é só um pretexto. É uma grande reunião de velhos amigos que tem como mestres de cerimônias músicos da mais extrema competência, verdadeiros ilusionistas capazes dos mais incríveis truques pra nos entreter. E por falar em ilusão, o que foi a versão gigante do Eddie, o monstruoso mascote da banda, que surgiu atrás da bateria de Nicko McBrain em Iron Maiden, última música do set?! Eu juro por deus que aquela coisa me deu arrepios…
Após o bis de apenas três músicas (The Number of the Beast, Hallowed be thy Name e Running Free) o Iron Maiden deixou a Arena enquanto o público pedia por Run to the Hills. Não é que estivéssemos insatisfeitos, nós simplesmente queríamos aquelas duas horas se repetindo pra sempre. Mas no fundo a gente entende que nossos heróis tivessem trabalho a fazer em outros lugares, outros vilarejos pra salvar, outras vidas para tirar do tédio. No mais, é como um amigo bem descreveu em seu status no Facebook e eu peço licença para reproduzir aqui: “Estou feliz de rever uma banda que, no palco, sempre parece se divertir mais do que o próprio público”.
Fotos por Fernando Souza.

















Começa na próxima semana, dia 9 de julho, no Rio de Janeiro, o festival de documentários musicais, In-Edit. O festival esteve até ontem, 5 de julho, em São Paulo, onde contou com mais salas e exibiu mais filmes. Os cariocas poderão conferir apenas metade dos mais de 40 filmes exibidos. Mesmo assim o festival é imperdível para qualquer amante de música, de documentários ou dos dois, como é meu caso.
ne Santa Teresa (veja 



Alguma das milhões de reportagens a que assisti nos últimos três dias dizia que Michael havia sido devorado pela indústria da música que ele mesmo havia ajudado a erguer. Na verdade é uma indústria da imagem, estética e audiovisual e que, de fato, ele ajudou a construir. Michael não revolucionou só a música pop como inventou o videoclipe na forma como conhecemos hoje. Thriller não é apenas um video de monstros, assim como Moonwalker não é apenas um filme musical. Não só o aparato tecnológico era de última geração como a linguagem era totalmente inovadora. Quem ainda não sabe precisa saber que boa parte do que temos nesse campo hoje devemos a ele. 